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A possível mudança na escala de trabalho 6x1 deve exigir adaptações de empresas de diferentes setores, especialmente de micro e pequenos negócios em Rondônia. Entre as alternativas estão a reorganização dos horários de funcionamento, a contratação de funcionários e o uso de novas tecnologias para manter os serviços.
Nas médias e grandes empresas, as mudanças podem incluir a realocação de funcionários, a automação de serviços e o uso da inteligência artificial. No setor industrial, a adoção de novas tecnologias também pode reduzir a necessidade de mão de obra. Já para os negócios menores, que geralmente trabalham com equipes reduzidas, a adaptação pode representar um desafio financeiro.
Segundo o economista Otacílio Moreira, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), empresas de diferentes portes precisarão avaliar como reorganizar as atividades para atender às novas exigências. Enquanto as grandes empresas podem recorrer à tecnologia, os pequenos negócios podem precisar rever os horários de atendimento.
"Já para o setor industrial, algumas adaptações terão que ser realizadas e, no longo prazo, essas empresas vão ter que se adaptar utilizando tanto a inteligência artificial como também novas tecnologias que demandem menos mão de obra", explicou.
O economista acrescentou que microempresas e empresas de pequeno porte podem enfrentar dificuldades para manter o funcionamento com equipes reduzidas. Uma das alternativas seria remodelar os horários de atendimento e funcionamento.
Pequenos negócios podem sentir mais os impactos
Em Rondônia, a preocupação está principalmente com os custos que podem surgir caso seja necessário contratar mais funcionários para reorganizar as jornadas. Para Otacílio Moreira, o impacto tende a ser mais significativo nos estabelecimentos que possuem menos recursos financeiros.
"Mas eu penso assim que micro e pequenos empresários aqui em Rondônia sentirão bastante dificuldade, pois, ao ter que contratar um trabalhador a mais, isso impacta muito no orçamento deles, diferente de um grande mercado, por exemplo, que, ao contratar três, quatro pessoas, o impacto é mínimo", afirmou.
O economista também considera importante que a implementação das mudanças leve em conta as diferenças econômicas entre as regiões brasileiras. Segundo ele, o período de transição poderá permitir adaptações de acordo com a realidade de cada localidade.
"É uma medida, está certo, que vai acontecer, vai ter um prazo de transição e eu imagino que o governo federal, o próximo governo que entrar junto com o Poder Legislativo, a Câmara e o Senado, faça algumas adaptações a partir da realidade verificada em cada região", disse.
Mudança pode ampliar tempo para a família e o lazer
Com a proposta, os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado, com possibilidade de compensação prevista em norma coletiva, desde que seja assegurada a média de dois dias de descanso por semana.
A ampliação do período de descanso pode permitir que os trabalhadores tenham mais tempo para cuidar da saúde, acompanhar os filhos e conviver com a família. A mudança também pode beneficiar setores como turismo, lazer, bares e restaurantes, com a possibilidade de aumentar a procura por atividades de entretenimento.
Hadassa, que participou da reportagem, avaliou positivamente a possibilidade de ter mais tempo livre. Ela destacou as dificuldades de trabalhar aos fins de semana e não conseguir aproveitar esse período com a família.
"Eu acho bom porque ficar trabalhando no final de semana é muito ruim, porque você não pode ver a sua família, você não pode ter o seu descanso e, agora, com a escala seis por um, você vai poder ter o descanso, vai poder passar mais tempo com a sua família, vai poder aproveitar mais consigo mesmo e eu gosto muito dessa mudança", afirmou.
Na avaliação de Otacílio Moreira, o tempo adicional de descanso também pode contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente daqueles que têm dificuldades para conciliar a rotina profissional com as responsabilidades familiares.
"Eu vejo o principal ganho aí, uma melhor qualidade de vida nessa possibilidade de mães solo terem essa possibilidade de ficar mais tempo com seus filhos, cuidarem das suas casas, os homens também, de ter esse prazo aí para, de repente, frequentar, ir a uma consulta médica, cuidar mais da saúde", destacou.
O economista também apontou que o período livre pode favorecer atividades de lazer e contribuir para movimentar a economia, embora a implementação da mudança exija atenção às condições de cada setor e aos impactos sobre os pequenos empreendedores.
Samara Santos - Portal SGC