Porto Velho (RO)01 de Março de 202619:38:00
EDIÇÃO IMPRESSA
Saúde

Tratamento pioneiro com células-tronco reverte malformação em bebês

Terapia com células-tronco reverteu a malformação em todos os bebês participantes do estudo. Condição afeta os movimentos da criança


Imagem de Capa

Freepik

PUBLICIDADE

Pesquisadores descobriram que um tratamento pioneiro com células-tronco pode reverter o quadro de espinha bífida aberta, uma malformação congênita grave no tubo neural do embrião que, por consequência, prejudica o fechamento completo da coluna vertebral e o canal espinhal do feto durante a gestação.

A condição, também chamada de mielomeningocele, pode afetar os movimentos e o controle da bexiga e do intestino do bebê pelo acúmulo excessivo de líquidos no cérebro.

Ela é a forma mais comum e grave de espinha bífida e ocorre com mais frequência em países de baixa renda.

O tratamento atual para a condição é baseado em uma cirurgia para a correção do defeito na medula espinhal do feto. No entanto, dados mostram que cerca de 60% dos bebês ficam sem andar ou se movimentar de forma independente, mesmo após o procedimento.

Já com a adoção da nova terapia com células-tronco, todos os recém-nascidos vieram ao mundo sem complicações.

A descoberta foi liderada pela cirurgiã fetal e neonatal Diana Farmer, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista The Lancet nesse sábado (28/2).

"Inserir células-tronco em um feto em desenvolvimento era algo totalmente desconhecido. Estamos entusiasmados em relatar um ótimo nível de segurança. Isso abre caminho para novas opções de tratamento para crianças com defeitos congênitos. O futuro é promissor para a terapia celular e gênica antes do nascimento", afirma Diana em comunicado.

Células-troncos se mostraram promissoras

Inicialmente, os pesquisadores testaram o tratamento com células-tronco provenientes da placenta em ovelhas. Todas as submetidas à terapia conseguiram andar e ficar de pé com independência, enquanto os animais que receberam apenas a cirurgia não.

Com os dados positivos, o próximo passo foi testar em humanos. Seis gestantes passaram por cirurgia com células-tronco entre a 24ª e a 25ª semana de gestação. Após o procedimento, os bebês nasceram por volta da 34ª semana de gestação.

Nenhum deles apresentou sinais de infecção e vazamento de líquido cefalorraquidiano. Também havia a preocupação de que as células-tronco pudessem provocar câncer nos recém-nascidos, mas nenhum crescimento tumoral foi detectado.

As crianças tinham sinais de que uma herniação da fossa posterior havia sido revertida. A condição faz com que uma parte do cérebro desça para o pescoço e bloqueie a circulação do líquido cefalorraquidiano.

"Este é um passo importante rumo a um novo tipo de terapia fetal, que não apenas repara, mas também pode ajudar a curar e proteger a medula espinhal em desenvolvimento", exalta o coautor do artigo, Aijun Wang.

Apesar dos resultados promissores, ainda são necessários estudos maiores para obter mais dados sobre a eficácia a longo prazo do novo tratamento. A equipe já recebeu autorização para realizar uma pesquisa clínica com 29 participantes.

Além disso, Diana afirma que é necessário aguardar as crianças tratadas no estudo atual atingirem os dois anos, uma vez que esta é a idade que elas aprendem a andar.








Jorge Agle

Últimas notícias de Saúde