Porto Velho (RO)24 de Setembro de 202617:40:36
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Saúde

Estudo aponta aumento do risco de autismo após infecções na gestação

Pesquisa acompanhou 3,7 milhões de pessoas na Suécia e identificou maior frequência de diagnósticos de autismo e deficiência intelectual entre criança


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Um estudo conduzido pelo Instituto Karolinska, na Suécia, encontrou uma associação entre infecções congênitas adquiridas durante a gestação e um maior risco de diagnósticos relacionados ao neurodesenvolvimento. Entre as condições analisadas está o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A pesquisa analisou registros de saúde e educação de cerca de 3,7 milhões de suecos nascidos entre 1987 e 2021. Desse total, 975 tiveram registro de infecção congênita por TORCH, grupo que reúne doenças como citomegalovírus, rubéola, toxoplasmose e herpesvírus. A categoria também pode incluir sífilis, HIV, zika e hepatite B.

Os participantes foram acompanhados por até 30 anos. O objetivo foi verificar possíveis relações entre essas infecções adquiridas ainda no útero e diagnósticos posteriores de condições do neurodesenvolvimento, além de impactos no desempenho escolar.

Risco de autismo foi maior entre os expostos

De acordo com os resultados, a ocorrência de autismo entre pessoas que tiveram infecção congênita por TORCH foi aproximadamente três vezes maior do que entre aquelas que não tiveram a condição.

A diferença também variou conforme o nível de suporte associado ao TEA. O risco de diagnóstico de autismo nível 1 foi mais de sete vezes maior entre os indivíduos expostos. Nos níveis 2 e 3, o aumento chegou a até 30 vezes.

Os pesquisadores também identificaram uma probabilidade mais de sete vezes maior de diagnóstico de deficiência intelectual entre pessoas que tiveram uma infecção congênita.

Apesar dos resultados, os autores ressaltam que as infecções por TORCH são raras. Por isso, elas representam apenas uma pequena parcela dos casos de autismo e de outras condições do neurodesenvolvimento observadas na população.

Infecções podem atravessar a placenta

Em geral, os agentes responsáveis pelas infecções analisadas não chegam diretamente ao feto. Em determinadas situações, porém, os patógenos conseguem atravessar a placenta e infectar o bebê durante a gestação.

Segundo os pesquisadores, aproximadamente uma em cada cinco crianças que tiveram uma infecção congênita por TORCH pode receber posteriormente um diagnóstico de autismo.

"Já se sabe há muito tempo que essas infecções podem causar condições do neurodesenvolvimento. No entanto, a ligação com o autismo era menos clara em pesquisas anteriores, que muitas vezes se baseavam em pequenos grupos de pacientes", afirmou Hugo Sjöqvist, principal autor do estudo.

Os resultados foram publicados na revista JAMA Pediatrics nesta segunda-feira (21).

Para os pesquisadores, as descobertas reforçam a importância da prevenção de infecções que podem ser transmitidas ao feto durante a gravidez. Eles destacam que algumas dessas doenças podem ser evitadas, o que torna o tema relevante para a saúde pública.

Metrópoles


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