Reprodução
Um medicamento usado contra parasitas intestinais pode abrir uma nova linha de pesquisa para a endometriose. Em estudo publicado em 30 de agosto na revista Advanced Healthcare Materials, cientistas testaram uma versão adaptada da niclosamida — fármaco usado para eliminar tênias — e observaram redução de lesões e da sensibilidade à dor em camundongos.
A doença ocorre quando um tecido semelhante ao do útero cresce fora do órgão. Afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva e pode causar dor pélvica, cólicas intensas e infertilidade. Mesmo com tratamento, os sintomas podem persistir por anos.
O que é a endometriose?
Como o tratamento foi desenvolvido
Pesquisas anteriores já indicavam que a niclosamida poderia ter efeito sobre a endometriose. O desafio era fazer o medicamento chegar às células envolvidas na manutenção da doença.
Para isso, a equipe desenvolveu uma estrutura molecular chamada dendrímero. Nela, os cientistas acoplaram ácido fólico, que se liga a um tipo específico de célula do sistema imune, e conectaram a niclosamida ao composto.
A estratégia busca levar o medicamento diretamente a macrófagos associados às lesões. As células podem liberar sinais inflamatórios e favorecer o crescimento do tecido fora do útero.
Resultados em animais
O tratamento foi testado em camundongos com lesões semelhantes às da endometriose. Após a aplicação, os animais apresentaram menos lesões e de menor tamanho em comparação com o grupo que não recebeu o medicamento.
Em parte dos casos, não foram detectadas lesões duas semanas após a aplicação. Os testes também indicaram redução da sensibilidade à dor. Os resultados mostram resposta ao tratamento em animais, mas não permitem estimar o efeito em pessoas.
Limitações e próximos passos
O estudo envolveu um número pequeno de animais e avaliou apenas um período curto após a aplicação. Ainda não há dados sobre segurança a longo prazo, uso repetido ou eficácia em humanos.
Segundo a pesquisadora Kanako Hayashi, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos, o trabalho ainda está em fase pré-clínica. Antes de qualquer uso clínico, são necessários novos testes e aprovação para ensaios em humanos.
Metrópoles