Reprodução
A perda de alguém querido pode provocar sentimentos de tristeza que permanecem por muito tempo e se intensificam diante de lembranças relacionadas à convivência. Músicas, hábitos familiares e situações do cotidiano podem despertar a saudade e tornar a ausência ainda mais difícil de enfrentar.
Segundo o psicanalista Dr. Khim Roberto, essas experiências estão ligadas às memórias construídas ao longo da vida. Quando algo remete à pessoa que morreu, as lembranças podem ser reativadas, tornando o processo de luto mais doloroso.
"Uma grande perda é acionada no seu próprio cérebro, nas suas memórias, onde fica mais pesado, porque você volta a visitar essas memórias", explica.
O especialista ressalta que cada pessoa enfrenta o luto de uma maneira e que não existe um prazo único para lidar com a perda. Por isso, compreender os próprios sentimentos e encontrar formas de conviver com a saudade são passos importantes durante o processo.
"É preciso se ressignificar, é preciso entender o processo. Lógico, as pessoas que passaram por uma perda recentemente, é muito difícil mesmo. É natural, é o acolhimento", afirma Khim Roberto.
A importância do acolhimento
O apoio de familiares e amigos pode fazer diferença para quem enfrenta o luto. Ouvir sem julgar, permitir que a pessoa expresse os sentimentos e respeitar seus limites são atitudes que ajudam a oferecer suporte durante esse período.
Para o psicanalista, o acolhimento deve ser o primeiro passo para ajudar alguém que está passando por uma perda. A conversa e a compreensão do momento vivido são importantes para que a pessoa não se sinta pressionada a superar a tristeza rapidamente.
"O primeiro passo é sempre acolher, é ouvir a pessoa, entender o processo, realmente acolher, conversar", orienta.
Quando procurar ajuda profissional
Embora a tristeza faça parte do processo de luto, é importante observar quando o sofrimento se torna intenso a ponto de prejudicar a rotina, o trabalho, o sono ou as relações pessoais.
Nesses casos, procurar acompanhamento profissional pode ajudar a compreender os sentimentos e desenvolver estratégias para enfrentar a perda. De acordo com Khim Roberto, o profissional pode orientar a pessoa a lidar com os pensamentos e as respostas emocionais que surgem durante esse período.
"É preciso procurar um profissional para que ele possa te orientar, trabalhar a parte cognitiva e te dar estratégias", explica.
A saudade pode continuar presente mesmo depois de muitos anos. Aprender a conviver com ela não significa esquecer quem morreu, mas encontrar maneiras de seguir em frente, preservando as lembranças e respeitando o próprio tempo.
Natália Figueiredo - Portal SGC