Mais de duas décadas depois da criação das leis que tornaram obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e, posteriormente, dos povos indígenas nas escolas, a educação antirracista ainda enfrenta dificuldades para se consolidar no Brasil.
As leis 10.639/2003 e 11.645/2008 representaram avanços na legislação educacional, mas pesquisas apontam que sua aplicação ainda é irregular. Um levantamento realizado em 2023 pelo Instituto Geledés e pelo Instituto Alana, por exemplo, mostrou que sete em cada dez secretarias municipais de Educação desenvolvem poucas ou nenhuma ação para garantir o ensino dessas temáticas.
O assunto também costuma aparecer de maneira pontual no calendário escolar, concentrado em datas como o 13 de maio e o 20 de novembro. Para pesquisadores, essa abordagem pode limitar o debate e favorecer uma visão folclorizada das culturas e das relações raciais, em vez de discutir de forma contínua questões como racismo e desigualdade.
Formação de professores é um dos principais desafios
Um artigo publicado em 2025 na Educação em Revista analisou os obstáculos para a implementação da educação antirracista no país e apontou a formação docente insuficiente como um dos principais problemas.
Muitos professores relatam não se sentir preparados para trabalhar relações étnico-raciais porque não tiveram formação específica durante a graduação. A falta de recursos, o baixo envolvimento de gestores e a ausência de prioridade institucional também aparecem entre as dificuldades.
Os pesquisadores defendem que a formação sobre Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) seja obrigatória nos cursos de licenciatura. Atualmente, a legislação determina que o conteúdo seja ensinado nas escolas, mas não estabelece a mesma obrigatoriedade para a preparação dos futuros professores.
Uma análise sobre a disciplina de ERER na Universidade de Brasília mostrou que, embora os estudantes reconheçam sua importância, a oferta ainda ocorre de maneira irregular e, em alguns casos, como disciplina optativa. Para estudantes negros, o espaço também foi relatado como importante para compreender experiências pessoais relacionadas ao racismo.
Metrópoles