A inteligência artificial já passou a fazer parte de diferentes etapas dos processos seletivos. No Brasil, ferramentas automatizadas são usadas principalmente para organizar candidaturas, transcrever entrevistas e analisar respostas de candidatos de acordo com critérios definidos pelas empresas.
Segundo o headhunter Fábio Salomon, uma das práticas mais comuns atualmente é a entrevista assíncrona. Nesse formato, o candidato grava vídeos respondendo a perguntas pré-estabelecidas, enquanto a IA transcreve e organiza as informações para análise do setor de Recursos Humanos.
Chatbots também podem assumir tarefas mais objetivas, como verificar pretensão salarial e conhecimento de idiomas. Com isso, a tecnologia ajuda a reduzir o volume de trabalho operacional e permite que os profissionais de RH se concentrem em outras atividades.
Apesar da automação, a decisão final sobre a contratação continua sendo responsabilidade dos gestores. A advogada Dalvelyn Menezes Kalachi afirma que a IA pode identificar padrões e organizar informações, mas fatores como contexto, cultura da empresa e julgamento humano ainda são necessários.
também levanta questões éticas e jurídicas. Entre as preocupações estão filtros que podem excluir candidatos automaticamente e ferramentas que tentam analisar características como expressões faciais.
No Brasil, a LGPD prevê mecanismos relacionados a decisões tomadas exclusivamente por tratamento automatizado de dados. Além disso, o Projeto de Lei 2338/2023, em discussão no Congresso, trata o recrutamento automatizado como uma aplicação de alto risco.
Para os candidatos, a orientação é responder de forma clara e baseada em experiências reais, evitando respostas decoradas. A tendência é que a IA continue acelerando as etapas iniciais dos processos seletivos, enquanto a avaliação final permaneça sob responsabilidade humana.
Metrópoles