Porto Velho (RO)12 de Fevereiro de 202617:49:06
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Governo estuda enviar ajuda humanitária a Cuba após ofensiva de Trump

Situação na ilha caribenha, agravada por pressões dos EUA, tem preocupado o governo do presidente Lula


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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está avaliando o envio de ajuda humanitária a Cuba, na forma de medicamentos e alimentos, em resposta à crescente crise no país caribenho.

A ilha enfrenta sérias dificuldades energéticas e econômicas, agravadas por sanções e restrições impostas pelos Estados Unidos, que ameaçam tarifas contra países que forneçam petróleo a Cuba, aprofundando a situação humanitária.

Segundo assessores do Planalto, o governo está preocupado com a questão humanitária e analisa medidas semelhantes às adotadas pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, que recentemente enviou dois navios com cerca de 800 toneladas de ajuda humanitária ao porto de Havana.

Os ministérios do Desenvolvimento Social e da Saúde estão entre as áreas envolvidas na possível iniciativa brasileira.

No momento, o governo brasileiro não vê cenário propício para uma ação militar como aconteceu na Venezuela. No caso de Cuba, a estratégia norte-americana está no asfixiamento do governo pela economia. Segundo fontes do Planalto, o chefe do Executivo brasileiro não manteve contato recente com o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel.

No último sábado (7/2), durante um discurso na comemoração de 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) em Salvador (BA), Lula declarou que o Brasil é "solidário ao povo cubano" e que o partido precisa encontrar "um jeito de ajudar" o país caribenho.

Situação em Cuba

Desde 1958, Cuba é alvo de um embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. As sanções foram impostas no contexto da Guerra Fria, e da aproximação de Cuba com o regime comunista, alinhado a extinta União Soviética.

No início deste ano, a crise humanitária se agravou. Logo após os EUA anunciarem a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, os olhos da administração Trump se voltaram para Cuba. O próprio líder norte-americano ameaçou o governo cubano, afirmando que a administração de Cuba poderia cair "muito em breve".

Com a mudança política na Venezuela, que passou a se alinhar aos interesses da Casa Branca, Trump anunciou que a nova administração venezuelana concordou em interromper o envio de petróleo e dinheiro para Cuba para pressionar por negociações. Os dois países, por anos, formaram uma aliança estratégica cujo objetivo era driblar a pressão norte-americana sobre as duas nações.

No fim de janeiro, o líder norte-americano aumentou as investidas, e autorizou sanções dos EUA contra países que fornecerem petróleo para Cuba — que até o último ano dependia, quase exclusivamente, de exportações do combustível da Venezuela e México.

Com o cerco, bastaram poucas semanas para a situação delicada em Cuba piorar. Nesta semana, o governo cubano anunciou que o combustível para aviação no país acabou, comprometendo diretamente a já defasada malha aérea do país.








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