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Investigado por oferecer dinheiro e presentes a meninos menores de idade em troca de favores sexuais, o vereador Diego Vieira (PRD), de Praia Grande, no litoral de São Paulo, foi o autor da Lei Municipal Felca, que tem objetivo combater a violência sexual contra crianças e adolescentes. Vieira nega ter cometido crime.
O projeto de lei 92/2025 foi apresentado por Diego Vieira (foto em destaque) em agosto do ano passado e sancionado pelo prefeito Alberto Mourão (MDB) em novembro. A lei instituiu a campanha Maio Laranja na cidade, "dedicada à promoção de ações de enfrentamento à adultização, e violência sexual contra crianças e adolescentes".
"A criação desta campanha busca sensibilizar a população para a gravidade e as consequências dessa forma de violência, incentivar a denúncia, fortalecer a rede de proteção, orientar crianças e adolescentes sobre seus direitos e capacitar profissionais que atuam diretamente com o público infantojuvenil", escreveu Diego Vieira na justificativa da proposta de lei.
O projeto leva o nome do youtuber Felipe Bressanim Pereira, de 27 anos, conhecido como Felca, que ganhou notoriedade no ano passado após denunciar o influenciador paraibano Hytalo Santos por exploração de menores.
Suspeitas contra o vereador
Pais de vítimas procuraram a Polícia Civil e mostraram aos investigadores capturas de tela dos celulares com as conversas com o vereador Diego Vieira, de Praia Grande.
Há boletim de ocorrência de dois adolescentes, um de 16 anos e outro de 15 anos. A advogada das vítimas Mayra Solani acredita, porém, que outros garotos tenham sido abordados pelo vereador.
"Estamos tentando ir em contato com as outras vítimas", disse Mayra. "É importante que os pais de adolescentes que desconfiem que tiveram algum tipo de contato com o vereador conversem com seus filhos", acrescentou.
A defesa de Vieira nega o crime e diz que a denúncia é "caluniosa" e adotará medidas para preservar a "honra e imagem do vereador".
Como era a abordagem
Conhecido como "tio da creche", Diego trabalhou durante oito anos em uma escola de educação infantil e, segundo relatos, "é carismático, engraçado e sedutor" com os jovens.
Ele teria oferecido ingressos para shows e presentes que interessavam aos garotos, como chuteiras de futebol aos praticantes do esporte. As conversas com teor sexual ocorriam nas redes sociais e, frequentemente, com a oferta de dinheiro - há relatos de ofertas de R$ 50 e de R$ 200.
O parlamentar mandava as mensagens pelo Instagram no modo "visualização única". Os jovens tiveram que gravar um vídeo da tela para obter as provas de que estavam sendo assediados.
Em uma conversa, o vereador fala que queria fazer "sexo", depois envia cifrões e diz que "só a mamada tava bom". Para a defesa das vítimas, a conversa indica que o parlamentar pagaria por sexo oral.
Em um dos casos, contou a advogada, o vereador enviou uma foto do pênis para convencer o adolescente de também mandar uma imagem do órgão.
Há suspeita de que o suspeito tenha frequentado um show do grupo Sorriso Maroto com menores de idade.
Andamento das investigações
O celular das duas vítimas que registraram boletim de ocorrência estão sendo periciados pela polícia. Em paralelo, há uma denúncia no Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre o caso.
Thomaz Molina - Metrópoles