Arte/Metrópoles
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (13/3), que o assessor sênior do Departamento de Estado do governo de Donald Trump, Darren Beattie, está proibido de entrar no Brasil. O Metrópoles confirmou que o visto do norte-americano foi revogado pelo Itamaraty.
Segundo o petista, o funcionário de Trump para assuntos relacionados ao Brasil só entrará no país quando os EUA revogarem a sanção ao visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, bem como da esposa e da filha dele.
"Aquele cara americano que disse que viria para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado", disse Lula.
"Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos, sabe? Então, Padilha, esteja certo de que você está sendo protegido", completou o titular do Planalto.
A declaração foi dada durante a inauguração do Setor de Trauma do novo Hospital Federal do Andaraí (HFA), na região da Grande Tijuca, no Rio de Janeiro. Além de Padilha, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a primeira-dama Janja Lula da Silva e outros ministros participaram da agenda.
Em nota enviada ao Metrópoles, o Palácio do Itamaraty citou outros motivos para revogação do visto de Darren Beattie. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o norte-americano omitiu informações ao solicitar entrada no Brasil.
"O Itamaraty confirma a revogação do visto, tendo em conta a omissão e o falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington. Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional", diz nota.
Em agosto de 2025, a gestão Trump cancelou a visto da mulher e da filha de Padilha, de 10 anos.
No mês seguinte, ele recebeu a autorização para ingressar no país para participar da reunião da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, mas acabou cancelando a ida, porque estava envolvido nas negociações para aprovar a medida provisória (MP) que instituiu o Programa Agora Tem Especialistas.
Beattie visitaria Bolsonaro
Nessa quinta-feira (12/3), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reformou a decisão que havia autorizado a visita de Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.
A mudança ocorre após Moraes receber do Itamaraty a informação de que Beattie não tem agenda diplomática no Brasil e que seu visto de entrada foi concedido apenas para um compromisso privado.
No ofício enviado pelo ministro Mauro Vieira ao STF, o chanceler destacou que a visita de Beattie a Bolsonaro poderia configurar "indevida ingerência" em assuntos internos do Brasil. "A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro", pontuou.
Na decisão, Moraes afirmou que, somente após o pedido de encontro com Bolsonaro ser protocolado na Corte, foram solicitadas pela Embaixada dos EUA em Brasília reuniões de Beattie perante o Ministério das Relações Exteriores, "inexistindo, até então, qualquer agenda diplomática previamente notificada a esta Pasta".
Moraes menciona, ainda, outro compromisso informado apenas depois de o Supremo autorizar, em decisão inicial, a visita ao ex-presidente. "Em 11/3, em mensagem enviada por diplomata da Embaixada dos EUA por aplicativo de mensagens, solicitou-se o agendamento de encontro entre o Sr. Darren Beattie e o secretário de Europa e América do Norte, na tarde de 17/3. Uma agenda que também não está confirmada."
De acordo com fontes da diplomacia brasileira, o Brasil utilizou o princípio da reciprocidade na decisão. No entendimento do governo, Beattie falseou e omitiu informações relevantes relacionadas ao motivo da visita ao Brasil. "Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional", afirmou o Itamaraty.
Quem é o assessor de Donald Trump
Darren Beattie é um escritor conservador, com formação em ciência política. No primeiro mandato de Trump, era um dos responsáveis por escrever os discursos do republicano. Desde fevereiro, é o responsável pela política do Departamento de Estado para o Brasil — ele foi nomeado no departamento em outubro passado.
Apesar disso, Beattie já exercia influência sobre a política do governo Trump para o Brasil desde o começo do atual mandato do republicano, em janeiro de 2025.
Em agosto do ano passado, o funcionário de Trump criticou fortemente Moraes, no contexto da aplicação da Lei Magnitsky contra o magistrado, afirmando em publicação que o ministro era o "principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores". Posteriormente, as sanções da Magnitsky contra o ministro foram retiradas.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Andreza Matais, Beattie é um dos principais envolvidos nas discussões dentro da administração Trump sobre a possibilidade de voltar a sancionar Moraes, com base na mesma legislação.
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