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Brasília, a capital em que o poder e a sedução caminham de mãos dadas, acordou com um sussurro diferente no último domingo (10/5). A boate Paradise, icônico reduto em que suor e perfume importado costumam ditar o ritmo das madrugadas calientes, trocou o champanhe pela água da torneira. Mas não foi um brinde: foi um dilúvio, literalmente.
Se as curvas das mais de 50 garotas de programa que desfilam pela casa noturna, no Setor Hoteleiro Sul, costumam deixar os visitantes sem fôlego, desta vez quem perdeu a compostura foi o próprio teto. Em plena manhã de Dia das Mães, as estruturas cederam, e o teto ruiu, transformando o salão de veludo vermelho em um cenário de emergência aquática.
Canos estourados jorravam água sobre o palco, no qual, em noites normais, o pole dance ferve. A coluna Na Mira teve acesso exclusivo a vídeos que registraram a incredulidade de um funcionário ao narrar a situação do estabelecimento, que ficou completamente inundado. Fiações expostas criaram um perigo eletrizante.
Marcha dos Prefeitos comprometida
O incidente não poderia ter vindo em hora pior. O "timing" foi quase um pecado, já que a capital se prepara para receber a 27ª Marcha dos Prefeitos, entre os dias 18 e 21 de maio .
Para os donos da boate, os irmãos Fayed e Louis Traboulsi — conhecidos por controlarem a jogatina e a sacanagem noturna do DF —, cada goteira é sinônimo de preocupação. Afinal, quando os chefes dos executivos municipais desembarcam no DF, as "placas pretas" costumam fazer fila na porta.
Por enquanto, o clima na Paradise é de reconstrução. O veludo vermelho tem de secar, e os fios precisam ser escondidos antes que a primeira autoridade municipal cruze o Eixo Monumental em busca de alento após um longo dia de congressos no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB).
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