Leonardo Amaro/Metrópoles
O homem preso nesta quinta-feira (21/5) apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) tinha uma caixa de dinheiro com o nome da influenciadora Deolane Bezerra, segundo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
"Foi preso também um operador do esquema, inclusive com uma caixa de dinheiro com remetente , para quem iria, que era para a própria influenciadora", disse Tarcísio, na manhã desta quinta, ao comentar a operação da Polícia Civil que também teve como alvos Deolane; Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola; Alejandro Camacho, irmão de Marcola; e dois sobrinhos do líder do PCC.
A fala foi durante uma agenda do governador em Bauru, no interior paulista. Tarcísio disse, ainda, que a polícia tem atuado para fazer a "asfixia financeira" do PCC, que tem usado "negócios aparentemente lícitos" para movimentar os recursos do tráfico de drogas.
O suposto operador do esquema de lavagem de dinheiro citado por Tarcísio é Everton de Souza, conhecido pelos codinomes "Player" ou "Temer". Segundo a investigação policial, ele atuava na gestão de bens e na destinação de fluxos financeiros para a cúpula da facção, especificamente para Marcola e Alejandro. Foi por meio de Everton que a polícia teria chegado em Deolane (veja mais abaixo). A influenciadora é tratada na investigação como membro da facção criminosa.
A reportagem tentou contato com a defesa de Deolane para comentar o nome dela na caixa de dinheiro que estava com Everton, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Relação entre Deolane e operador do PCC
A polícia chegou até Deolane através de Everton de Souza, conhecido pelos codinomes "Player" ou "Temer". Ele identificado nas investigações como um intermediador e operador financeiro do PCC, que atuaria na gestão de bens e na destinação de fluxos financeiros para a cúpula da facção, especificamente para Marcola e Alejandro.
O elo entre Everton e Deolane Bezerra Santos é central na investigação, e foi imprescindível para comprovar a participação da advogada na engrenagem de lavagem de dinheiro da facção.
Na função de gestor indireto da Lopes Lemos Transportadora, empresa de fachada, Everton orientava o administrador operacional Ciro César Lemos a realizar depósitos em contas de Deolane.
Tais pagamentos faziam parte do acerto mensal ou "balancete" da facção. Foram identificadas 34 transações com intermediários idênticos, o que sugere uma rede de repasses triangulados para fragmentar a trilha do dinheiro (layering).
Ambos utilizam os serviços de Eduardo Affonso Rodrigues, apontado como o contador do esquema, responsável por constituir e manter empresas de fachada para os dois investigados.
A investigação chama tais empresas de "espelho", pois identificou que elas funcionam sob o mesmo modus operandi: estão localizadas em endereços residenciais sem atividade real, ou até mesmo compartilham o mesmo local físico para diferentes CNPJs.
Deolane também aparece como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências nas quais ele figura como vítima.
A relação dos dois se mostrou ainda mais sólida com a declaração de Everton em interrogatório de que alugava um apartamento da advogada no bairro Tatuapé, na zona leste de São Paulo, por R$ 5 mil mensais.
Segundo a polícia, depoimentos de ex-integrantes da facção e registros em redes sociais sugerem uma amizade íntima entre os dois, com a presença de Everton em eventos familiares da advogada.
Entre os alvos da operação desta quinta-feira, além de Deolane e do próprio Marcola — atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília —, estão seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior (que também já estava preso) , e dois sobrinhos: Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Um operador do esquema, Everton de Souza, também foi preso nesta quinta-feira.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
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