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O relatório da investigação que levou à prisão de Deolane Bezerra, na última quinta-feira (21/5), cita movimentações financeiras entre a influenciadora e pessoas ligadas à alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em um trecho do documento, a Polícia Civil de São Paulo afirma que Deolane manteve transações bancárias, direta ou indiretamente, com Francisca Alves da Silva, esposa de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, o irmão de Marcola.
Francisca tem passagem na polícia por corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de capitais. No ano passado, a Justiça determinou a soltura da empresária, após quase um ano e meio presa pela Operação Primma Migratio. Ela era acusada de envolvimento com o "jogo do bicho" e casas de apostas no Ceará.
No relatório, Deolane Bezerra é classificada como integrante do PCC. Segundo a investigação, ela desempenharia um importante papel na ocultação e redistribuição de valores ilícitos da facção criminosa.
Relação entre Deolane e operador do PCC
A polícia chegou a Deolane por meio de Everton de Souza, conhecido pelos codinomes "Player" ou "Temer". Ele é identificado nas investigações como um intermediador e operador financeiro do PCC, que atuaria na gestão de bens e na destinação de fluxos financeiros para a cúpula da facção, especificamente para Marcola e Alejandro.
O elo entre Everton e Deolane Bezerra Santos é central na investigação, e foi imprescindível para comprovar a participação da advogada na engrenagem de lavagem de dinheiro da facção.
Na função de gestor indireto da Lopes Lemos Transportadora, empresa de fachada, Everton orientava o administrador operacional Ciro César Lemos a realizar depósitos em contas de Deolane.
Tais pagamentos faziam parte do acerto mensal ou "balancete" da facção. Foram identificadas 34 transações com intermediários idênticos, o que sugere uma rede de repasses triangulados para fragmentar a trilha do dinheiro (layering).
Ambos utilizam os serviços de Eduardo Affonso Rodrigues, apontado como o contador do esquema, responsável por constituir e manter empresas de fachada para os dois investigados.
A investigação chama tais empresas de "espelho", pois identificou que elas funcionam sob o mesmo modus operandi: estão localizadas em endereços residenciais sem atividade real, ou até mesmo compartilham o mesmo local físico para diferentes CNPJs.
Deolane também aparece como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências nas quais ele figura como vítima.
A relação dos dois se mostrou ainda mais sólida com a declaração de Everton em interrogatório de que alugava um apartamento da advogada no bairro Tatuapé, na zona leste de São Paulo, por R$ 5 mil mensais.
Segundo a polícia, depoimentos de ex-integrantes da facção e registros em redes sociais sugerem uma amizade íntima entre os dois, com a presença de Everton em eventos familiares da advogada.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
A investigação iniciou em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
A Polícia Civil notou a menção a uma "mulher da transportadora", que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso, em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.
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