Valter Campanato/Agência Brasil | Leon Neal/Pool via REUTERS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta sexta-feira (14) a decisão do governo brasileiro de iniciar o processo de reciprocidade contra as tarifas dos Estados Unidos. Ele repetiu não quer "briga" com os Estados Unidos e disse que está buscando diálogo com o governo norte-americanos.
"Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos. Não quero nenhuma briga com os Estados Unidos. Lamentavelmente, eles estão fazendo, sabe, construindo inverdades contra o Brasil. Nós, ontem, entramos com lei da reciprocidade para a gente mostrar que a gente não é pouca coisa", disse Lula em entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize.
Sobre possíveis consequências do processo de reciprocidade, Lula disse estar "tranquilo". Ele declarou que irá "vencer os Estados Unidos pela narrativa" e com a "verdade".
"Estou muito tranquilo sabendo o que pode acontecer, estou preparado para debater a defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra", acrescentou.
O chefe do Executivo disse ter uma relação de respeito mútuo com o presidente norte-americano, Donald Trump, e que tem buscado marcar uma nova conversa. Alertou, no entanto, que uma nova reunião deve demorar, por questões de agenda.
"Estou tentando falar com ele , estou tentando manter um contato com ele porque eu quero ter uma conversa 'tête-à-tête' com ele. E vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil e sobretudo na questão da eleição", disse,
Em 22 de julho, os EUA aplicaram uma tarifa de 25% contra certos produtos brasileiros, oriunda de uma investigação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) práticas comerciais consideradas injustas.
As tarifas aplicadas pelos EUA são adicionais às alíquotas já existentes, ou seja: um produto que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%, somando a tarifa regular aos 25% adicionais.
A abertura do processo de reciprocidade, no entanto, não significa a aplicação imediata das medidas de defesa comercial. O processo é longo e pode passar por diversas fases.
Na prática, a legislação prevê a possibilidade de o Brasil oferecer o mesmo tratamento dado à ele, seja no âmbito comercial, na concessão de vistos, na área econômica, diplomática ou a qualquer ação estrangeira que, segundo o governo, "impactem negativamente a competitividade internacional brasileira."
O presidente ainda voltou a atribuir as tarifas ao secretário americano Marco Rubio, afirmando que disse a Trump que Rubio não gosta do Brasil.
"É que eu acho que não é ele . Ele sabe que não gosto das pessoas que estão fazendo isso. Já falei para ele que o secretário de Estado dele não gosta do Brasil e não gosta da América Latina", declarou.
cnnbrasil