Diorgenes Pandini, Arquivo DC
O clima no Brasil será impactado diretamente pela formação e pelo avanço sobre a Região Sul de um ciclone extratropical, cuja formação iniciou nesta quinta-feira (20/8). O sistema intensifica a instabilidade atmosférica no trecho meridional do país, provocando fortes rajadas de vento, queda acentuada nas temperaturas e chuvas volumosas, enquanto o bloqueio atmosférico no interior segue sustentando o ar seco na faixa central.
Na Região Sul, o ciclone atua com maior severidade no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde o deslocamento do centro de baixa pressão favorece tempestades, eventual queda de granizo e ventos que podem ultrapassar os 80 km/h, especialmente na faixa litorânea e nas serras.
O avanço da massa de ar polar associada ao sistema derruba os termômetros de forma brusca ao longo do dia, trazendo sensação de frio intenso e marcando o fim do calor recente na região.
No Paraná, a transição climática ganha força no decorrer desta quinta. Embora a metade norte paranaense ainda registre abafamento e temperaturas elevadas durante a manhã, a chegada da frente fria e dos ventos associados ao ciclone provoca o aumento gradual de nebulosidade, com pancadas de chuva e declínio térmico acentuado entre a tarde e a noite.
O impacto da mudança do tempo alcança também a Região Sudeste. Em São Paulo e no sul do Rio de Janeiro, a aproximação da frente fria altera a rota dos ventos e interrompe a sequência de dias ensolarados, favorecendo o aumento da nebulosidade, pancadas de chuva isoladas e a queda nas temperaturas.
No interior paulista e no estado de Minas Gerais, contudo, o tempo firme ainda predomina durante a tarde, com índices de umidade relativa do ar em níveis de atenção. Apesar da movimentação na porção sul do continente, a Região Centro-Oeste permanece sob o domínio da massa de ar seco e quente na maior parte de seu território.
Tardes quentes e secas
Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso voltam a registrar tardes quentes e secas, com umidade do ar caindo abaixo dos 20% em diversas cidades. Apenas o sul de Mato Grosso do Sul sente os efeitos do ar frio polar, com aumento de nuvens, declínio térmico e chance de chuva fraca.
No Nordeste, a umidade oceânica continua sendo transportada pelos ventos orientais em direção à costa, mantendo condições para chuvas rápidas e isoladas entre o litoral da Bahia e do Rio Grande do Norte. No interior nordestino e no sertão, o cenário permanece inalterado, com predomínio de sol forte, temperaturas elevadas e estiagem rigorosa.
Na Região Norte, o padrão típico da estação se mantém: o calor e a alta disponibilidade de umidade favorecem pancadas de chuva com trovoadas no extremo norte do Amazonas, em Roraima e no Amapá.
Por outro lado, estados como Tocantins, Rondônia e o sul do Pará continuam sob o impacto do ar seco, apresentando baixos índices de umidade e risco elevado para a propagação de queimadas.
De acordo com os boletins meteorológicos, a tendência para os próximos dias é de que o ciclone extratropical se desloque em direção ao oceano, mas continue impulsionando o ar frio pelo centro-sul do país. O declínio das temperaturas deve se consolidar no Sudeste até o fim da semana, aliviando temporariamente o calorão no interior brasileiro.
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