Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursará na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na próxima terça-feira (22/9), e deve usar o espaço para mandar recados sobre a tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras, reforçar o discurso sobre combate ao crime organizado e defender a soberania do país.
Segundo fontes do governo brasileiro, a fala do petista deve durar em torno de 20 minutos e fará referência aos grandes temas da atualidade, a exemplo dos conflitos globais e desafios do multilateralismo — o que engloba questões relacionadas ao meio ambiente, mudanças climáticas, direitos humanos e comércio.
Auxiliares defendem que o presidente faça a defesa da democracia e do processo eleitoral brasileiro diante das ameaças de ingerência externa.
Nesta quinta-feira (17/9), o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o governo de Donald Trump apresentou um documento pedindo que "dissidentes políticos" no Brasil não sejam presos, detidos ou impedidos de participar das Eleições 2026. A informação foi confirmada pelo Metrópoles. A solicitação ocorreu em outubro passado, em meio às negociações sobre o tarifaço, e foi rejeitada de forma imediata.
A fala de Lula sobre a possibilidade de intervenção não deve fazer menção direta aos Estados Unidos ou a chefes de Estado específicos. A avaliação é que o presidente passará o recado de maneira polida, mas firme.
Espera-se também que esse não seja o tema central do discurso. Aliados sustentam que o presidente não vai usar o palco da ONU para tratar de questões internas. Porém, a defesa da soberania e da integridade do processo eleitoral brasileiro é vista como necessária diante dos crescentes "ataques" à democracia ao redor do mundo.
Na linha de não levar temas internos para o palanque, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) não deve ser abordada, segundo auxiliares.
Lula é o primeiro chefe de Estado a discursar durante a Assembleia Geral da ONU. Em seguida, fala o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo fontes do Planalto, não há tratativas para uma reunião bilateral entre os líderes, mas não se descarta que os dois conversem de maneira informal.
Outro tema que deve entrar no discurso é o combate ao crime organizado. Na quarta, a Casa Branca publicou um documento em que critica o governo brasileiro por, supostamente, ter falhado em combater as facções criminosas PCC e Comando Vermelho. O Palácio do Planalto rechaça as alegações e diz que a administração Trump desconsidera medidas adotadas contra as organizações criminosas.
Metrópoles