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Brasil

Eleitores de religiões de matriz africana relatam falta de representação nas campanhas

Número de adeptos triplicou entre 2010 e 2022, mas praticantes afirmam que o segmento ainda recebe pouca atenção política


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Eric Ty Odé/Divulgação/Reprodução

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Eleitores que seguem religiões de matriz africana e afro-brasileira afirmam não se sentir representados nas campanhas eleitorais de 2026. Embora o número de pessoas que se identificam com essas religiões tenha crescido nos últimos anos, praticantes e pesquisadores apontam que o segmento ainda recebe pouca atenção dos candidatos.

Dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de brasileiros que declararam seguir religiões afro-brasileiras triplicou entre 2010 e 2022, chegando a 1,8 milhão de pessoas.

Mesmo com esse crescimento, o eleitorado de matriz africana não ocupa o mesmo espaço nas estratégias eleitorais destinado a grupos religiosos majoritários, como católicos e evangélicos.

Para a advogada e umbandista Lívia dos Santos, a falta de aproximação entre candidatos e esse público está relacionada à intolerância religiosa e ao desconhecimento sobre essas tradições. "É muito difícil a gente, que é de religião de matriz africana, se ver representado pelos políticos."

Segundo Lívia, o distanciamento também está relacionado ao histórico de marginalização e criminalização das práticas religiosas de matriz africana no país.

"A gente tá falando, em uma última análise, de uma sociedade que não se permite conhecer essas religiões, justamente por todo o histórico de marginalização, criminalização dos povos que sempre cultuaram o orixá."

Organização política

O pai de santo e pesquisador do Grupo de Pesquisas sobre Povos de Terreiro da Universidade Federal Fluminense (UFF), Leonardo Vieira, afirma que o número de seguidores não deve ser o único fator considerado para avaliar a relevância política de um grupo.

"Há nichos da política que ainda concebem os povos de terreiro como inferiores."

Para o pesquisador, também existe uma percepção equivocada de que os povos de terreiro não possuem organização política. Segundo ele, essa atuação está presente na própria dinâmica das comunidades, envolvendo questões como economia, saúde, educação e outras formas de organização coletiva.

"Essa organização política começa dentro dos terreiros nas suas relações comunitárias e coletivas de organização, economia, de saúde, de educação, de tecnologia, e que é uma forma de fazer política diferente."

Vieira afirma ainda que candidatos ligados às religiões de matriz africana ou que se aproximam do segmento podem conquistar o apoio desse eleitorado. No entanto, mobilizações públicas são mais difíceis devido ao risco de exposição e de violência decorrente da intolerância religiosa.

Intolerância religiosa

O combate à intolerância religiosa é apontado por praticantes e pesquisadores como uma das principais demandas do segmento. A legislação brasileira prevê punição para casos de discriminação religiosa.

Dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100) reforçam a dimensão do problema. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, foram registradas 2.774 denúncias relacionadas à intolerância religiosa.

O serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. O atendimento é gratuito, e as denúncias são encaminhadas aos órgãos responsáveis pela apuração.

Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Agência Brasil


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