A Receita Federal participa nesta segunda-feira (28/9) da Operação Hermanos. O trabalho, realizado em parceria com a Polícia Federal, busca aprofundar a investigação sobre um suposto esquema de lavagem de capitais que teria utilizado estruturas empresariais formalmente constituídas para ocultar, movimentar e reinserir recursos de possível origem ilícita no sistema financeiro nacional. A ação decorre de decisão da 1ª Vara Federal de Umuarama.
Contexto
A investigação está relacionada a desdobramentos da Operação Transloading, que apurou a atuação de organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas e armas. Durante a análise financeira foram identificadas movimentações consideradas atípicas envolvendo a empresa investigada e pessoas a ela vinculadas.
Segundo os elementos reunidos no inquérito, a empresa investigada, embora formalmente enquadrada como microempresa, com capital social declarado de R$ 62 mil, registrou movimentação bancária bruta de aproximadamente R$ 89,7 milhões entre 2019 e 2025, incompatível com sua estrutura declarada, além de expressivas operações em espécie e intensa circulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas.
Início das investigações
As apurações tiveram início após a identificação de transferências financeiras realizadas por investigados vinculados à Operação Transloading para contas da empresa Hermanos Exportadora e Importadora de Alimentos Ltda. Relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram ainda diversas comunicações de operações suspeitas envolvendo a empresa, o que motivou a instauração de inquérito específico para apuração do delito de lavagem de dinheiro.
Posteriormente, medidas de quebra de sigilo bancário e fiscal permitiram o aprofundamento das análises financeiras, patrimoniais e societárias dos investigados.
Modus operandi
De acordo com as investigações, a organização utilizaria empresas e contas bancárias de pessoas físicas para promover a circulação de valores em operações caracterizadas por:
• depósitos e saques em espécie em elevado volume;
• transferências fragmentadas e pulverizadas;
• movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada;
• circulação de recursos entre empresas e pessoas físicas vinculadas;
• utilização de contas de passagem para rápida entrada e saída de recursos;
• operações sem correspondência econômica ou documental aparente.
Os investigadores apuram se a estrutura empresarial investigada foi utilizada para conferir aparência de licitude a recursos oriundos de crimes antecedentes, especialmente tráfico internacional de drogas, contrabando e descaminho.
A operação
A operação cumpre:
• 2 mandados de prisão preventiva;
• 4 mandados de busca e apreensão domiciliar e empresarial;
• medidas de bloqueio e sequestro de bens e ativos financeiros;
• afastamento de sigilo de dados telefônicos e telemáticos de aparelhos eventualmente apreendidos.
As medidas foram determinadas pela Justiça Federal de Umuarama/PR no âmbito do processo nº 5010867-44.2026.4.04.7004/PR.
As buscas ocorrem em endereços vinculados aos principais investigados e à empresa Hermanos Exportadora e Importadora de Alimentos Ltda, localizada no Estado do Paraná.
A investigação também resultou na indisponibilidade de ativos financeiros, restrições sobre veículos e análise de patrimônio supostamente incompatível com os rendimentos formalmente declarados pelos investigados.
Agência GOV