Porto Velho (RO)29 de Setembro de 202616:12:49
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Advogado movimentou quase R$ 5 bilhões em bets e pede devolução de R$ 163 milhões

Willer Tomaz afirma ter desenvolvido vício em jogos e entrou na Justiça contra a Blaze, onde registrou prejuízo milionário em 2025


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O advogado Willer Tomaz movimentou quase R$ 5 bilhões em apostas online ao longo de 2025 e terminou o ano com um prejuízo de R$ 163 milhões na Blaze. Agora, ele recorreu à Justiça para pedir que a plataforma devolva o valor perdido.

A ação foi apresentada na 44ª Vara Cível de São Paulo. No processo, Willer afirma ter desenvolvido vício em jogos e acusa a Blaze de não adotar medidas suficientes de jogo responsável, além de dificultar mecanismos que poderiam interromper sua atividade na plataforma.

Segundo os dados apresentados no processo, Willer ganhou cerca de R$ 4,8 bilhões em jogos de cassino durante 2025, mas perdeu aproximadamente R$ 4,963 bilhões, resultando no saldo negativo de R$ 163 milhões. Nas apostas esportivas, o resultado registrado foi um lucro de R$ 39 mil.

Apostador tinha atendimento exclusivo

A relação de Willer com a Blaze incluía atendimento VIP. A partir de 2023, antes da regulamentação das apostas online, ele passou a contar com um funcionário da empresa dedicado ao atendimento por WhatsApp.

Para comprovar sua capacidade financeira, o advogado teria apresentado extratos bancários que indicavam movimentações milionárias relacionadas a seus escritórios de advocacia e a uma emissora de televisão do Maranhão.

Documentos anexados ao processo mostram que Willer chegou ao nível 171 do programa de fidelidade da Blaze.

Em julho de 2025, por exemplo, ele realizou 11 depósitos de R$ 100 mil em apenas duas horas. Segundo os registros, o dinheiro foi perdido após centenas de giros de roleta, com apostas superiores a R$ 50 mil.

Em outro episódio, em janeiro de 2026, Willer depositou R$ 500 mil e, cerca de 30 minutos depois, retirou R$ 1 milhão de forma fracionada. No mesmo dia, recebeu um bônus de fidelidade de R$ 325 mil, que, segundo a reportagem, é proibido pela legislação, e perdeu o valor posteriormente.

Reclamações sobre saques

Conversas apresentadas no processo mostram que Willer reclamava das exigências de reconhecimento facial para realizar saques de R$ 100 mil.

Em uma mensagem, ele pediu que o limite fosse elevado para R$ 500 mil por operação. Segundo os documentos, o funcionário responsável pelo atendimento informou posteriormente que ele não precisaria mais passar pelo reconhecimento facial para realizar os saques, procedimento apontado como contrário à regulamentação federal.

Willer também pediu uma espécie de linha de crédito semelhante às utilizadas em cassinos de Las Vegas. Em uma das mensagens, afirmou que mantinha linhas de crédito com estabelecimentos como o Wynn e questionou se poderia ter um modelo semelhante na Blaze.

Pedido de devolução veio após relatório de perdas

No início de março, o volume de apostas de Willer teria diminuído. O atendente da Blaze questionou a mudança, e o advogado afirmou estar insatisfeito com a demora na liberação dos saques.

Ele também mencionou preocupação com os números de sua própria conta e afirmou esperar algum tipo de orientação relacionada ao jogo responsável diante do volume de movimentações e perdas.

Poucos dias depois, Willer passou a preparar uma ação contra a plataforma.

Antes de entrar na Justiça, ele teria procurado a Blaze para tentar um acordo. A proposta previa a devolução de 70% do valor perdido.

Na ação, a defesa sustenta que problemas como a dificuldade para retirar dinheiro, a reversão de solicitações de saque e incentivos relacionados às perdas contribuíram para manter os recursos dentro da plataforma.

Laudo aponta suposto vício em jogos

O argumento de que Willer sofria de ludopatia aparece formalmente no processo. O advogado Eugênio Aragão, sócio de Willer e responsável pela defesa na ação, afirma que o comportamento registrado seria compatível com um quadro grave de dependência em jogos.

A defesa apresentou um laudo médico assinado em julho pelo psiquiatra Diego Canelhas. O documento afirma que Willer havia iniciado tratamento e relaciona o diagnóstico ao volume elevado de dinheiro movimentado em apostas.

Segundo o laudo, Willer teria tentado interromper o acesso à plataforma, mas enfrentaria dificuldades para conseguir a exclusão definitiva da conta.

A reportagem aponta, porém, que os documentos do processo não apresentam registro de cadastro de Willer no sistema federal de autoexclusão, mecanismo que permite ao usuário impedir o acesso a plataformas de apostas autorizadas.

Prints são usados para comprovar tentativa de bloqueio

A defesa também apresentou dois registros de conversas com o atendimento da Blaze para sustentar que Willer teria solicitado o bloqueio da conta.

As mensagens não possuem data nem identificação do usuário. Em uma delas, o perfil pede o bloqueio do acesso aos jogos e afirma estar enfrentando problemas relacionados ao vício em apostas.

Em outra, o usuário reclama do recebimento de mensagens promocionais e solicita o bloqueio definitivo da conta.

A defesa afirma ainda que Willer continuou recebendo publicidade da Blaze depois do suposto pedido de exclusão. Para sustentar a alegação, foram anexados registros de um canal no Telegram e mensagens SMS com ofertas de bônus e recompensas.

Relação com o setor de apostas

Além de ser apostador, Willer também possui atuação profissional relacionada ao mercado de apostas esportivas.

Segundo a reportagem, ele é apontado como beneficiário final da RioPag, empresa que recebeu do governo do Rio de Janeiro autorização para atuar na intermediação de pagamentos entre apostadores e casas de apostas licenciadas pelo estado.

Willer também atua como advogado da empresa. Seu escritório, até pelo menos o mês anterior à publicação da reportagem, representava a associação de casas de apostas Aposta Legal. 

Procurado pela reportagem, Willer Tomaz não havia respondido até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.

Metrópoles


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