Marcelo Camargo/ Agência Brasil
O Partido Liberal (PL) descartou a possibilidade de selar um "acordão" político com a ala governista do Supremo Tribunal Federal (STF). A legenda decidiu dar sequência, a partir de 2027, aos processos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, condicionados ao cenário político pós-eleitoral.
Ao longo da última segunda-feira (5), interlocutores ligados à candidatura de Flávio Bolsonaro interpretaram que membros da Suprema Corte emitiram acenos em busca de pacificação. A proposta informal visaria poupar os magistrados de ofensivas no Legislativo em troca da revisão da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e da aceitação, por parte do Tribunal, da anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro.
Apesar dos acenos, a diretoria do PL rejeita qualquer tipo de negociação direta com Alexandre de Moraes. A preferência interna da sigla é que o próprio STF resolva a situação do magistrado mediante a abertura de uma investigação e consequente afastamento por conta de desdobramentos do caso Daniel Vorcaro.
Prevendo a manutenção do perfil combativo de Moraes, o PL planeja formalizar o pedido de impeachment no Senado Federal em 2027. Contabilizações do partido apontam a garantia de 49 votos favoráveis ao afastamento, restando apenas cinco para atingir o quórum mínimo constitucional de 54 senadores.
A investida contra o ministro Flávio Dino dependerá da postura adotada por ele caso se confirme a vitória de Flávio Bolsonaro nas urnas.
O PL avalia incluir Dino no foco das ações se o magistrado avançar em apurações sobre interferência estrangeira nas eleições como justificativa para questionar o resultado do pleito, ou se mantiver investigações sigilosas acerca do uso de emendas parlamentares.
D24am