Foto: Reprodução Instagram @mikaelagomess
A grife Foz, sob o comando do estilista alagoano Antônio Castro, protagonizou um dos momentos mais marcantes da temporada ao encerrar a apresentação de sua nova coleção com um ato político e simbólico. A modelo Mikaela Gomes fechou o desfile vestindo um longo branco e carregando a Constituição Federal nas mãos. O próprio estilista também levou um exemplar ao entrar na passarela para os agradecimentos finais.
Em ambas as edições do livro, a capa apareceu recoberta de cristais e acompanhada por uma rosa vermelha. Às vésperas do período eleitoral, o gesto foi recebido com entusiasmo e ovacionado pela plateia presente, ganhando força em um momento de debates sobre possíveis alterações no texto constitucional.
Saudade e a ‘roupa como casa’
Intitulada ‘Expresso Maravilha’, a coleção buscou inspiração na ideia do retorno para casa após vivências longe da terra natal. Com referências ao formato de road movie — ao estilo do clássico do cinema Bye Bye, Brasil —, a entrada da passarela exibia projeções de estradas em movimento emolduradas por tecidos que remetiam a cortinas.
A proposta de Antônio Castro foi traduzir a saudade do lar em elementos de vestuário. A passarela recebeu peças com alusões a almofadas, cenas cotidianas de galinheiro, conchas de cama matelassadas, figuras de namoradeiras e babados decorativos.
"Esses elementos criam a ideia de que, sendo o corpo um lugar em trânsito, as roupas são a casa que levamos conosco onde quer que estejamos, e são elas que trarão finalmente a busca da sensação de pertencimento", explicou o estilista.
Força do artesanato nordestino
Além do forte apelo conceitual e político, o desfile reafirmou o trabalho manual e artesanal como pilar essencial da grife. O destaque ficou por conta dos tecidos em jacquard feitos de algodão e viscose, que reinterpretam os tradicionais padrões de chita, repletos de cores e estampas florais.
A produção das peças foi desenvolvida no município de Timbaúba dos Batistas, na região do Seridó (RN), em parceria com a Casa das Bordadeiras. O grupo produtivo local conta há quatro anos com a capacitação e o apoio do Instituto Riachuelo para a preservação e valorização do artesanato regional.
D24am