Porto Velho (RO)22 de Outubro de 202618:20:05
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Brasil

Flávio Bolsonaro aciona TSE e pede cassação da chapa de Lula por suposto uso eleitoral do Gov.br

Senador acusa governo de enviar mensagens a eleitores por canais oficiais; denúncia ainda será analisada pela Justiça Eleitoral.


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A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma ação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A representação acusa a gestão federal de utilizar a estrutura digital do Gov.br para enviar mensagens com possível finalidade eleitoral e pede a cassação da chapa presidencial.

Segundo os advogados do senador, milhões de mensagens personalizadas teriam sido encaminhadas pelo WhatsApp por meio de uma conta identificada como Gov.br. A campanha sustenta que os comunicados divulgavam serviços e ações do governo durante o período eleitoral e poderiam beneficiar a candidatura de Lula à reeleição.

A ação também questiona o possível uso de dados pessoais, como CPFs e números de telefone, para direcionar as mensagens. As acusações ainda dependem de apuração e não comprovam, por si só, a ocorrência de irregularidades.

Campanha questiona uso de canais oficiais

Na representação, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro argumenta que a estrutura de comunicação digital do governo teria sido usada para alcançar eleitores durante a campanha presidencial.

Os advogados afirmam que a prática pode configurar abuso de poder político e uso indevido da máquina pública. A avaliação, porém, depende da análise do conteúdo das mensagens, da finalidade dos envios e das circunstâncias em que foram distribuídas.

A utilização de canais oficiais para informar a população sobre serviços públicos não caracteriza automaticamente propaganda eleitoral irregular.

Mensagem do INSS é citada no processo

Um dos exemplos apresentados pela campanha envolve um comunicado atribuído ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), relacionado à comprovação de vida de aposentados e pensionistas.

A mensagem citada na ação diz: "Vote nas eleições 2026 e tenha sua comprovação de vida atualizada automaticamente".

Para os advogados, o texto associaria um procedimento administrativo à participação eleitoral dos beneficiários. A campanha considera que o comunicado pode ter sido utilizado para influenciar eleitores por meio de um canal governamental.

No entanto, o trecho divulgado não menciona explicitamente o voto em Lula. A eventual irregularidade deverá ser avaliada pela Justiça Eleitoral, considerando o contexto e as provas apresentadas.

Denúncia menciona operação "Serviço na Ponta"

A representação também cita uma suposta iniciativa chamada "Serviço na Ponta", que, segundo os advogados, envolveria diferentes órgãos federais na distribuição de mensagens personalizadas.

Entre as instituições mencionadas estão a Casa Civil, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Serpro e a Dataprev.

A campanha alega que teria ocorrido cruzamento de CPFs e números de telefone sem autorização ou finalidade legal adequada. A participação dos órgãos citados e a legalidade do tratamento dos dados ainda precisam ser verificadas.

Flávio Bolsonaro pede suspensão dos disparos

A ação solicita a interrupção dos envios por canais digitais oficiais, incluindo o WhatsApp e ferramentas automatizadas de atendimento.

A campanha também pede a inelegibilidade dos responsáveis por oito anos e a cassação do registro ou diploma da chapa presidencial, caso as irregularidades sejam reconhecidas.

Segundo a equipe jurídica do senador, esta é a oitava iniciativa judicial apresentada contra supostas práticas de utilização da estrutura pública em benefício da candidatura governista.

Os pedidos representam a posição da campanha e não uma decisão judicial sobre os fatos denunciados.

O que pode acontecer no TSE?

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) é um instrumento utilizado para apurar possíveis abusos de poder econômico, político ou de autoridade durante o processo eleitoral.

Se a Justiça reconhecer irregularidades graves, a legislação prevê sanções que podem incluir inelegibilidade e cassação de registro ou diploma, conforme as circunstâncias do caso.

A representação foi dirigida à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral, sob responsabilidade do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

O processo poderá analisar a origem dos dados utilizados, os critérios de seleção dos destinatários, o conteúdo das mensagens e a possível finalidade eleitoral dos disparos.

Até que haja uma decisão, as acusações permanecem sob apuração e não representam uma condenação dos envolvidos.

NC news


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