A Polícia Federal investiga denúncias de ameaças, agressões e possíveis atos de violência contra comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. Entre os relatos está um áudio em que um homem sugere envenenar a água consumida por indígenas no município de Tacuru.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) acionou órgãos federais e pediu providências para investigar os episódios e garantir a segurança das comunidades. O caso também mobilizou o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, que informou que acionaria a Polícia Federal.
Áudio com ameaça preocupa lideranças indígenas
O material divulgado pela APIB registra uma conversa entre dois homens que demonstram insatisfação com o resultado eleitoral. Durante o diálogo, um deles utiliza expressões ofensivas contra indígenas e sugere contaminar a água utilizada pelas comunidades.
Até a divulgação das denúncias, os envolvidos não haviam sido oficialmente identificados pelas autoridades. Também não havia confirmação de que alguma fonte de água tivesse sido contaminada.
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), afirmou que os dois homens citados na conversa são servidores municipais ligados às áreas de Meio Ambiente e Infraestrutura. Segundo relatos publicados sobre o caso, um deles atua no abastecimento de comunidades indígenas por meio de caminhões-pipa.
O prefeito classificou o episódio como vergonhoso e informou que conversou com os funcionários. Também declarou que um dos servidores seria temporariamente afastado da atividade de abastecimento de água como medida de precaução.
A responsabilidade dos envolvidos e as circunstâncias das declarações ainda dependem de apuração oficial.
APIB denuncia outros casos de violência
Além das ameaças registradas em Tacuru, a APIB relatou ocorrências em outros municípios de Mato Grosso do Sul. As denúncias mencionam assassinatos em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, manifestações racistas e ameaças contra comunidades indígenas.
A entidade encaminhou documentos e uma representação criminal ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal e a órgãos do governo federal.
Entre as medidas solicitadas estão a identificação dos responsáveis, a investigação dos episódios, a proteção das comunidades ameaçadas e a apuração de possíveis falhas no atendimento às denúncias.
Casos foram relatados após a votação
As denúncias vieram a público após o segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL).
Em Tacuru, Lula recebeu 62,19% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 37,81%, conforme os dados eleitorais citados nas reportagens sobre o caso.
Organizações indígenas apontam preocupação com a possibilidade de violência política e discriminação. No entanto, a motivação de cada ocorrência precisa ser esclarecida pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Investigação deve esclarecer ameaças
A apuração deverá verificar a autenticidade das gravações, identificar os autores das declarações e esclarecer se houve outras ameaças ou riscos à segurança das comunidades.
No caso de Tacuru, a denúncia também levanta preocupações sobre a proteção da água destinada ao consumo dos indígenas e a continuidade do abastecimento.
Até que os fatos sejam esclarecidos, as denúncias não representam uma comprovação definitiva de todas as ocorrências relatadas. A investigação deverá determinar eventuais responsabilidades e orientar as medidas necessárias para proteger as comunidades.
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