Porto Velho (RO)30 de Outubro de 202618:12:52
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Brasil

Vans, ex-agente da Mossad e jato estrangeiro: os detalhes da fuga de Flávio

Operação internacional contou com apoio logístico e planejamento antes das eleições para exfiltração


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REUTERS

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu do Brasil para a Argentina por meio terrestre em duas vans com a esposa e duas filhas em uma operação com apoio internacional de ao menos dois países, detalham as apurações inéditas conduzidas por órgãos brasileiros e obtidas com exclusividade pela CNN.

Os órgãos brasileiros que investigam a fuga identificaram as placas das vans que cruzaram a Ponte Tancredo Neves (também conhecida como Ponte Internacional da Fraternidade) na última terça-feira (27). A travessia foi uma rodovia que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú (província de Misiones), na Argentina, sobre o Rio Iguaçu, e foi captada por câmeras de segurança.

Os motoristas das vans foram identificados com as placas TBB 4A65 e FDF 8F91, que não precisaram apresentar passaporte para entrada no país de origem. Um dos motoristas é ex-vereador em Foz do Iguaçu, que levou Flávio. O outro motorista, filho do primeiro, levou a esposa do senador e suas duas filhas de forma separada.

A apuração aponta que Flávio teve apoio na reta final do segundo turno das eleições. Um ex-agente israelense, naturalizado norte-americano, que já trabalhou na agência de inteligência Mossad, de Israel, chegou ao Brasil no dia 19 de outubro e, segundo levantamento da operação, acompanhou Flávio de Brasília até a Argentina, onde foi ajudado por integrantes do governo argentino, de Javier Milei.

O ex-agente da Mossad estava na van com Flávio Bolsonaro ao cruzar a fronteira, apontam os registros.

De Puerto Iguazú, a família Bolsonaro embarcou em um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina de fretamento aéreo Baires Fly, fez uma parada para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, e pousou no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, Flórida, por volta das 10h30 de quarta-feira (28), conforme mostrou ao vivo a CNN.

O jato particular da Argentina até os EUA teria sido providenciado por Jason Miller, estrategista político de Donald Trump, que atualmente atua como funcionário especial do governo na Casa Branca, segundo reportagem do New York Times. Ao chegar, Flávio usou o passaporte diplomático, mesmo cancelado pela Polícia Federal.

Para integrantes do governo brasileiro, com base nas informações levantadas pelos órgãos, ficou claro que "houve auxílio nacionais e estado nacional da Argentina e Estados Unidos" e classificaram a operação como uma "exfiltração", quando ocorre uma transferência intencional, não autorizada e oculta de dados ou de pessoas para fora de um sistema, rede ou área protegida, detalham fontes do governo brasileiro.

As fontes de três órgãos à CNN também apontam que informações desencontradas que foram repassadas fizeram parte do plano de fuga para concentrar olhares a um local, quando, na verdade, a saída foi por outro.

A conclusão da investigação é que não foi uma fuga de última hora do senador, mas sim um planejamento internacional de grande envergadura, até mesmo com batismo interno de "operação Alba".

A PF avalia pedir o bloqueio de bens de Flávio, incluindo suas contas, ao Supremo Tribunal Federal. O Ministério da Justiça aguarda relatório da PF sobre a fuga após descumprimento de ordem judicial para estudar quais canais oficiais de cooperação internacional usará - e se usará.



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