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Dados recentes sobre bullying e cyberbullying entre adolescentes indicam um problema que vai além de episódios isolados e exige atenção como questão de política pública. No Brasil, quase quatro em cada dez estudantes relatam agressões recorrentes no ambiente escolar. Em Rondônia, esse cenário se agrava com o avanço das ofensas no meio digital, muitas vezes formalizadas em cartório.
A PeNSE 2024 aponta que 39,8% dos alunos de 13 a 17 anos já sofreram bullying, com maior incidência entre meninas. A aparência física segue como principal alvo. A frequência dos episódios também aumentou, indicando persistência da violência. Parte dos estudantes admite praticar bullying, revelando um ambiente em que vítimas e agressores convivem e reproduzem comportamentos naturalizados.
No ambiente virtual, a separação entre escola e casa se reduz. Um em cada dez adolescentes afirma ter sido ofendido em redes sociais ou aplicativos, com impactos prolongados. Em Rondônia, 800 atas notariais foram solicitadas em 2023 para registrar casos de bullying e crimes digitais. O instrumento permite formalizar provas como mensagens e imagens para uso judicial.
A Lei 14.811/2024, que inclui bullying e cyberbullying no Código Penal, representa avanço legal. No entanto, a criminalização isolada não resolve o problema. Muitas situações não configuram crime, mas geram prejuízos como queda no rendimento e afastamento escolar, exigindo respostas pedagógicas.
Políticas de prevenção ganham relevância. Em Rondônia, ações da Secretaria de Educação focam cultura de paz e saúde mental. Projetos como o Guardiões da Infância levam orientações sobre segurança digital e respeito nas redes, buscando prevenir ocorrências e fortalecer redes de apoio.
Famílias e escolas enfrentam desafios. Há receio de exposição e falta de estrutura para acompanhamento psicológico. Também existe o risco de banalização do termo bullying. O desafio está em definir critérios claros e protocolos que diferenciem conflitos pontuais de violência sistemática.
Os dados indicam que o bullying deixou de ser questão privada. Cabe ao poder público ampliar políticas de prevenção, às escolas promover convivência e às famílias acompanhar o cotidiano dos jovens, inclusive no ambiente digital.
Enfrentar esse cenário exige coordenação contínua entre instituições, com monitoramento de resultados e ajustes nas estratégias adotadas. A ampliação de canais de denúncia, a formação de profissionais e o uso responsável da tecnologia podem contribuir para respostas mais eficazes. Sem articulação prática e acompanhamento sistemático, iniciativas tendem a perder alcance e impacto diante de um problema que se mantém dinâmico e em transformação.
Diário da Amazônia