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A liberação de R$ 4,5 milhões para a construção de duas novas unidades de saúde em Rondônia, por meio do programa Novo PAC Saúde, representa avanço e desafio. Anunciada em 24 de abril de 2026, a medida prevê a construção de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em Nova Brasilândia D’Oeste e de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Rolim de Moura, com início imediato das obras.
A ação integra um pacote nacional de R$ 1,2 bilhão, destinado à criação de 541 serviços em 26 estados. O investimento responde a demandas históricas da região, marcada por limitações estruturais, distâncias geográficas e dificuldade de acesso a serviços especializados. A UBS deve ampliar o atendimento básico e preventivo, enquanto o CAPS atende à crescente necessidade de assistência em saúde mental.
A transferência em parcela única tende a reduzir entraves burocráticos e riscos de paralisação, além de os projetos terem sido adaptados às demandas locais, o que pode favorecer a efetividade. Ainda assim, a construção das unidades não assegura, por si só, a qualidade dos serviços.
Um dos principais desafios será a manutenção após a entrega, já que despesas com pessoal, insumos e funcionamento recaem sobre os municípios, que nem sempre dispõem de recursos suficientes. Sem planejamento adequado, há risco de estruturas ociosas ou com atendimento limitado.
Também há questionamentos sobre os critérios de distribuição dos investimentos, diante das carências existentes em outras cidades do estado. A transparência no processo é apontada como essencial para evitar dúvidas quanto à priorização dos municípios atendidos. Além disso, o funcionamento eficiente das unidades depende da integração com a rede de saúde, da disponibilidade de profissionais qualificados e da organização dos fluxos de atendimento.
Nesse contexto, o repasse representa etapa relevante, mas não conclusiva. O impacto dependerá da gestão contínua, do financiamento adequado e da articulação entre os entes federativos. O resultado será medido não apenas pela entrega das obras, mas pela capacidade de garantir atendimento efetivo e contínuo à população.
A efetividade dos novos equipamentos também dependerá da capacidade de atrair e fixar profissionais de saúde, sobretudo em áreas mais afastadas. A rotatividade de médicos, enfermeiros e especialistas ainda é um obstáculo recorrente na região Norte, impactando a continuidade do atendimento.
Além disso, será necessário garantir abastecimento regular de insumos, medicamentos e suporte técnico, evitando interrupções nos serviços.A qualificação das equipes e a gestão eficiente das unidades serão fatores determinantes para que a população perceba melhorias concretas no acesso e na qualidade da assistência prestada.
Diário da Amazônia