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Poucos números dizem tanto sobre uma sociedade quanto as crianças que não chegam ao primeiro aniversário. Em Rondônia, o registro de 17,1 mortes para cada mil nascidos vivos, em 2024, expõe uma questão que ultrapassa as estatísticas: mostra como saúde, saneamento e serviços públicos se encontram na vida real.
O dado citado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO), com base em informações oficiais, coloca Rondônia entre os estados com maior mortalidade infantil. A média brasileira, inferior, amplia o alerta. O indicador, porém, não explica sozinho toda a realidade da saúde. Mortalidade infantil resulta de fatores diversos e exige leitura cuidadosa, diante das diferenças entre municípios.
Existe outra questão: saber onde e como essas mortes ocorrem. O Datasus permite acompanhar séries históricas, cruzar registros de nascidos vivos e óbitos e examinar diferenças entre cidades. Porto Velho, Ji-Paraná, Vilhena, Cacoal, Ariquemes e outros municípios podem apresentar realidades distintas. A média estadual pode esconder desigualdades locais e dificultar a identificação de áreas que precisam de atenção específica.
Nem todo óbito infantil tem a mesma origem. Os registros podem ser separados em mortes neonatais precoces, neonatais tardias e pós-neonatais. Também é possível observar causas classificadas pela CID-10, incluindo afecções perinatais, malformações congênitas e doenças infecciosas. Conhecer esse perfil é fundamental para que políticas públicas atuem sobre riscos identificáveis.
Indicadores precisam ser acompanhados ao longo do tempo. Um número elevado em determinado ano ganha consistência quando comparado com períodos anteriores. Redução, estabilidade ou aumento apontam situações diferentes e exigem respostas diferentes. Sem essa série, qualquer conclusão pode ser precipitada.
Há o desafio de gestão e transparência. Dados públicos cumprem sua função quando se transformam em informação compreensível e decisões verificáveis. Pré-natal, assistência ao parto, atendimento neonatal, vacinação, saneamento, atenção básica e acompanhamento das famílias formam uma cadeia que não pode ser analisada por partes.
Rondônia precisa olhar para o número de 17,1 não como sentença, mas como sinal. Cada décimo da taxa representa vidas e famílias afetadas. Reduzir o indicador exige diagnóstico preciso, monitoramento permanente e políticas orientadas pelas diferenças de cada município. Mais do que buscar posições em rankings, importa entender as causas e medir se as ações adotadas produzem resultados.
Diário da Amazônia