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Agro

Preço global dos alimentos sobe 1,9% em agosto, puxado por açúcar e cereais

Índice da FAO atingiu 133,3 pontos, maior nível desde maio de 2024; açúcar teve a maior alta do mês, de 11,9%


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• 10 de janeiro de 2014. REUTERS/Nacho Doce (BRASIL - Tags: BUSINESS)

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O preço internacional dos alimentos voltou a subir em agosto, impulsionado principalmente pelo açúcar e pelos cereais. O índice de preços de alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) atingiu 133,3 pontos, alta de 1,9% em relação a julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4).

Na comparação com agosto de 2025, o índice ficou 2,5% acima. Apesar da recuperação, os preços internacionais ainda estão 16,8% abaixo do pico registrado em março de 2022, quando o mercado global de alimentos foi pressionado pelos efeitos da pandemia e, posteriormente, pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

A alta de agosto foi disseminada entre as principais categorias acompanhadas pela FAO. O maior avanço veio do açúcar, cujo índice subiu 11,9% no mês, para 106,4 pontos, atingindo o maior nível desde junho de 2025.

Segundo a FAO, o movimento está relacionado ao aumento das preocupações com a oferta mundial na safra 2026/27. O clima quente e seco prejudicou as perspectivas para a produção de beterraba na União Europeia, enquanto os efeitos associados ao El Niño também afetaram as expectativas para importantes produtores asiáticos.

O Brasil também aparece entre os fatores de pressão sobre o mercado. A FAO afirma que a redução da produção de açúcar na principal região produtora do país, o Centro-Sul, contribuiu para a perspectiva de uma oferta global mais apertada.

Além disso, a decisão da Índia de permitir a importação de açúcar bruto sem tarifa também ajudou a sustentar as cotações internacionais.

Cereais também sobem

O índice de preços de cereais da FAO avançou 2,2% em agosto, para 116,3 pontos, atingindo o maior nível desde maio de 2024.

Os preços internacionais subiram para os principais grãos. O trigo teve alta de 2,6% no mês e estava 15% acima do nível registrado um ano antes.

De acordo com a FAO, o mercado foi influenciado por problemas logísticos no Mar Negro, perspectivas de menor produção em algumas áreas da Europa devido ao calor e à seca e pela desvalorização do dólar, que torna as commodities negociadas na moeda americana mais competitivas para compradores de outros países.

O milho também subiu, com avanço de 2,5% em agosto. A FAO cita preocupações com a produtividade em áreas do chamado Corn Belt, nos Estados Unidos, além da piora das perspectivas de produção na União Europeia.

A demanda dos setores de etanol e ração animal também ajudou a sustentar as cotações. Problemas nas exportações ucranianas e preocupações com o fornecimento de insumos após o fechamento do Estreito de Ormuz deram suporte adicional aos preços do milho.

O sorgo subiu 3,9%, enquanto a cevada teve alta de 2,6%. Já o índice de preços do arroz avançou 0,5%.

Óleos vegetais registram terceira alta seguida

O índice da FAO para óleos vegetais subiu 0,6% em agosto, para 196,9 pontos. Foi a terceira alta mensal consecutiva e levou o indicador ao maior nível desde junho de 2022.

O movimento foi puxado principalmente pelos óleos de palma e de soja. No caso do óleo de soja, a FAO afirma que as cotações de origem sul-americana permaneceram firmes, apoiadas pela demanda externa.

Já os preços internacionais do óleo de palma avançaram diante da forte demanda global e das preocupações com os efeitos que as condições climáticas associadas ao El Niño podem provocar sobre a produção no Sudeste Asiático.

Carne tem alta, mas boi recua

O índice de preços das carnes subiu 1% em agosto, para 127,9 pontos, próximo do nível registrado um ano antes.

A alta foi puxada pelas carnes de aves, suínos e ovinos, enquanto os preços internacionais da carne bovina recuaram. No caso das aves, a FAO destacou a recuperação dos preços de exportação do Brasil, diante da forte demanda internacional.

Para a carne bovina, porém, o cenário foi diferente. A aproximação do limite da cota de importação da China para a carne brasileira reduziu o ritmo das exportações e aumentou a perspectiva de tarifas para volumes adicionais.

A Austrália também já havia atingido os limites de suas cotas para China e Coreia do Sul. Com isso, a maior competição por outros mercados pressionou para baixo os preços internacionais da carne bovina.

Lácteos voltam a subir

O índice de preços dos produtos lácteos avançou 2,3% em agosto, para 119,2 pontos, interrompendo uma sequência de três meses de queda. Os preços do leite em pó desnatado subiram 3%, enquanto os do leite em pó integral avançaram 2,4%. O queijo teve alta de 2,7%.

A FAO atribui parte do movimento à menor disponibilidade de leite na União Europeia, em um cenário de temperaturas elevadas e clima seco em importantes regiões produtoras. Apesar da alta mensal, o índice de lácteos ainda estava 21,7% abaixo do nível registrado em agosto de 2025.

cnnbrasil


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