Porto Velho (RO)11 de Setembro de 202605:11:14
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Agro

Canetas emagrecedoras podem impulsionar consumo de proteínas e carnes de maior valor

Avanço dos medicamentos GLP-1 muda hábitos alimentares e aumenta a busca por produtos com maior qualidade nutricional


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O crescimento no uso de medicamentos à base de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, pode provocar mudanças importantes nos hábitos de consumo e abrir novas oportunidades para o mercado de proteínas. A avaliação foi apresentada por executivos durante o Agro Summit Bradesco BBI 2026.

Segundo dados de uma pesquisa realizada pela McKinsey em parceria com a Scanntech, cerca de 6% dos adultos brasileiros afirmaram utilizar medicamentos GLP-1. O levantamento ouviu mais de 2 mil pessoas entre março e abril deste ano.

Além de reduzir o apetite, os medicamentos parecem estar influenciando a maneira como os consumidores escolhem os alimentos. Usuários do GLP-1 demonstram maior atenção às informações nutricionais e à composição dos produtos.

Entre os entrevistados que utilizam esses medicamentos, 50% disseram verificar informações nutricionais nos alimentos, enquanto o índice foi de 15% entre aqueles que não fazem uso do GLP-1. A pesquisa também aponta uma redução no consumo de alimentos associados a compras por impulso, especialmente aqueles consumidos fora das refeições.

Mercado dos medicamentos

A expansão dos tratamentos também movimenta um mercado bilionário. Durante o evento, foi apresentada uma estimativa de que o mercado oficial de medicamentos GLP-1 no Brasil já alcance aproximadamente R$ 20 bilhões. Considerando também o mercado não oficial, o valor poderia chegar perto de R$ 30 bilhões.

A expectativa é que o setor continue crescendo com a chegada de novos medicamentos e a possível redução dos preços. Segundo a análise apresentada no evento, quase metade das pessoas que ainda não utilizam GLP-1 teria interesse em começar o tratamento caso os valores dos produtos caíssem para uma faixa entre 35% e 50% dos preços atuais dos medicamentos de referência.

Proteína ganha espaço

Para Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, a mudança no comportamento dos consumidores vai além da quantidade de comida ingerida. Segundo ele, a proteína passou a receber mais atenção por estar associada à saúde e à qualidade de vida.

O executivo avalia que essa tendência aparece em diferentes faixas etárias. Enquanto consumidores mais jovens ampliam a busca por proteínas, pessoas mais velhas também demonstram interesse por alimentos relacionados ao bem-estar.

A preocupação, segundo Tomazoni, também está ficando mais específica. O consumidor não observa apenas a quantidade de proteína presente no alimento, mas começa a considerar aspectos como sua composição e o perfil de aminoácidos.

JBS aposta em produtos de maior valor agregado

Diante dessa transformação, a JBS trabalha para ampliar sua atuação no mercado de proteínas. A estratégia combina a produção tradicional de carne com o desenvolvimento de produtos funcionais e soluções consideradas de maior valor agregado.

A companhia também investe em tecnologias como hidrólise e biotecnologia para identificar peptídeos bioativos e encontrar novas aplicações para proteínas.

A proposta inclui aproveitar matérias-primas que atualmente possuem usos de menor valor na cadeia e transformá-las em ingredientes destinados à alimentação funcional e à suplementação.

Para a empresa, a tendência não significa abandonar a produção convencional. A aposta é manter proteínas de qualidade e custo competitivo, ao mesmo tempo em que novas tecnologias são utilizadas para acompanhar as mudanças nas preferências dos consumidores.

Nesse cenário, a carne bovina pode ganhar espaço não necessariamente pelo aumento da quantidade consumida, mas pela percepção de qualidade e pelo valor nutricional associado ao produto.

portal SGC


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