A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) apresentou ao governo federal uma proposta para estabelecer uma cota anual para a importação de filés de tilápia. A entidade sugere que o volume seja limitado a 16,2 mil toneladas por ano, independentemente do país de origem.
A medida seria temporária, com acompanhamento dos resultados e revisões periódicas. Segundo a associação, o objetivo é controlar o avanço das importações e reduzir a pressão sobre a cadeia produtiva nacional, que enfrenta aumento nos custos, dificuldades nas exportações e incertezas regulatórias.
A proposta prevê que sejam avaliados fatores como preços, oferta, geração de empregos, capacidade das indústrias, qualidade e condições sanitárias dos produtos estrangeiros. A Abipesca também defende a análise de possíveis práticas de concorrência desleal.
Importações aumentam
Dados apresentados pela entidade apontam que o Brasil importou cerca de 8 mil toneladas de filés de tilápia do Vietnã no primeiro semestre de 2026, movimentando aproximadamente US$ 33 milhões.
Em março, as compras externas chegaram a representar cerca de 11% da produção nacional mensal. No período, as importações de tilápia também ultrapassaram, pela primeira vez, as exportações brasileiras do produto.
O cenário ocorre apesar do crescimento da produção nacional. Em 2025, o país produziu mais de 707 mil toneladas de tilápia inteira, equivalente a aproximadamente 212 mil toneladas de filés.
Enquanto as importações avançaram, as exportações da piscicultura brasileira caíram 34% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior.
Setor enfrenta pressão
Para a Abipesca, a combinação entre o aumento dos produtos estrangeiros e a redução das exportações pode afetar produtores e frigoríficos brasileiros.
A entidade também aponta uma redução nas vendas de alevinos, que chegou a aproximadamente 30% em seis meses em algumas regiões. O dado é considerado um possível sinal de queda nos investimentos para a produção futura de tilápia.
Além disso, custos com combustível, transporte, seguros e logística continuam pressionando o setor.
A associação ainda acompanha possíveis mudanças regulatórias, incluindo a discussão sobre a classificação da tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras. Segundo a entidade, uma eventual inclusão poderia gerar novas dificuldades para produtores e empresas que dependem de licenciamento ambiental, crédito e autorização para expansão das atividades.
CNN Brasil