Porto Velho (RO)15 de Setembro de 202616:22:59
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Abipesca propõe limite para importação de filés de tilápia no Brasil

Entidade quer limitar compras externas a 16,2 mil toneladas por ano e aponta pressão sobre produtores e frigoríficos brasileiros.


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A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) apresentou ao governo federal uma proposta para estabelecer uma cota anual para a importação de filés de tilápia. A entidade sugere que o volume seja limitado a 16,2 mil toneladas por ano, independentemente do país de origem.

A medida seria temporária, com acompanhamento dos resultados e revisões periódicas. Segundo a associação, o objetivo é controlar o avanço das importações e reduzir a pressão sobre a cadeia produtiva nacional, que enfrenta aumento nos custos, dificuldades nas exportações e incertezas regulatórias.

A proposta prevê que sejam avaliados fatores como preços, oferta, geração de empregos, capacidade das indústrias, qualidade e condições sanitárias dos produtos estrangeiros. A Abipesca também defende a análise de possíveis práticas de concorrência desleal.

Importações aumentam

Dados apresentados pela entidade apontam que o Brasil importou cerca de 8 mil toneladas de filés de tilápia do Vietnã no primeiro semestre de 2026, movimentando aproximadamente US$ 33 milhões.

Em março, as compras externas chegaram a representar cerca de 11% da produção nacional mensal. No período, as importações de tilápia também ultrapassaram, pela primeira vez, as exportações brasileiras do produto.

O cenário ocorre apesar do crescimento da produção nacional. Em 2025, o país produziu mais de 707 mil toneladas de tilápia inteira, equivalente a aproximadamente 212 mil toneladas de filés.

Enquanto as importações avançaram, as exportações da piscicultura brasileira caíram 34% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Setor enfrenta pressão

Para a Abipesca, a combinação entre o aumento dos produtos estrangeiros e a redução das exportações pode afetar produtores e frigoríficos brasileiros.

A entidade também aponta uma redução nas vendas de alevinos, que chegou a aproximadamente 30% em seis meses em algumas regiões. O dado é considerado um possível sinal de queda nos investimentos para a produção futura de tilápia.

Além disso, custos com combustível, transporte, seguros e logística continuam pressionando o setor.

A associação ainda acompanha possíveis mudanças regulatórias, incluindo a discussão sobre a classificação da tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras. Segundo a entidade, uma eventual inclusão poderia gerar novas dificuldades para produtores e empresas que dependem de licenciamento ambiental, crédito e autorização para expansão das atividades.

CNN Brasil


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