Divulgação/MPE/ NASA/JPL-Caltech
Astrônomos internacionais identificaram a maior molécula contendo enxofre já vista fora da Terra. Teorias apontam que o elemento químico tem papel fundamental para a origem da vida no espaço e na Terra. A substância química encontrada corresponde ao tiofenol (C₆H₆S), um composto orgânico em forma de anel.
O enxofre é considerado um ingrediente fundamental para o surgimento da vida, pois ajuda a formar proteínas e enzimas presentes nos seres vivos. Anteriormente, astrônomos até já tinham detectado o elemento químico no espaço, mas em quantidades pequenas e que não seriam suficientes para cumprir a função.
O achado de uma molécula grande com enxofre é como se fosse o "elo perdido" no quebra-peça da ligação entre a química existente no espaço e a vida na Terra.
"Esta é a primeira detecção inequívoca de uma molécula complexa em forma de anel contendo enxofre no espaço interestelar - e um passo crucial para a compreensão da ligação química entre o espaço e os componentes básicos da vida", afirma o autor principal, Mitsunori Araki, em comunicado.
A descoberta foi liderada por astrônomos do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (MPE), na Alemanha, e do Centro de Astrobiologia CSIC-INTA (CAB), na Espanha. Os resultados estão disponíveis desde 23 de janeiro na revista Nature Astronomy.
Como foi a descoberta da molécula
A molécula foi detectada na nuvem molecular G+0,693-0,027, uma região onde estrelas se formam e está localizada a cerca de 27 mil anos-luz do nosso planeta.
Através de observações astronômicas e experimentos laboratoriais, descobriu-se que ela possui um anel estável de seis membros e 13 átomos ao todo, tamanho que supera todos os compostos com enxofre já identificados no espaço.
Em seguida, a molécula de tiofenol líquido foi sintetizada em laboratório a partir de uma descarga elétrica de mil volts. Depois, os pesquisadores examinaram os resultados por meio de um espectrômetro, o que permitiu medir a emissão de radiofrequência das moléculas - método para identificar e caracterizar as moléculas complexas de compostos orgânicos.
Por fim, a "assinatura" da molécula foi comparada a dados astronômicos de um levantamento observacional do CAB, coletados através de radiotelescópios.
"Nossos resultados mostram que uma molécula de 13 átomos, estruturalmente semelhante às encontradas em cometas, existe em uma nuvem molecular jovem e sem estrelas. Isso comprova que as bases químicas para a vida começam muito antes da formação das estrelas", aponta o coautor do estudo, Valerio Lattanzi, cientista do MPE.
De acordo com os pesquisadores, o achado sugere que há muitas outras moléculas complexas com enxofre a serem detectadas no espaço. Além disso, a descoberta traz mais evidências que os componentes fundamentais para a origem da vida se formaram no espaço interestelar, bem antes do surgimento do nosso planeta.
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