Um estudo internacional trouxe novas informações sobre a evolução dos morcegos e apontou que os animais surgiram na Europa há cerca de 65 milhões de anos. A conclusão contraria hipóteses anteriores que indicavam possíveis origens na Ásia, África ou América do Norte.
A pesquisa reuniu 103 genomas de morcegos, sendo 41 novas montagens e 62 sequências já disponíveis. Os cientistas também analisaram dados de 44 fósseis, abrangendo as 21 famílias de morcegos reconhecidas atualmente.
Considerado o maior estudo já realizado com DNA e fósseis desses animais, o trabalho foi conduzido pelo projeto internacional Bat1K, com participação de 137 cientistas. Os resultados foram publicados na revista Nature na quarta-feira (23).
Voo e ecolocalização
Além de investigar a origem dos morcegos, os pesquisadores analisaram características importantes para a sobrevivência da espécie. Entre elas estão o voo e a ecolocalização, sistema utilizado pelos animais para orientação e localização de presas.
De acordo com o estudo, essas características já haviam evoluído há aproximadamente 50 milhões de anos. A conclusão foi reforçada pela análise de um fóssil dessa época que apresentava sinais dessas habilidades.
Os pesquisadores também concluíram que, após surgirem na Europa, os morcegos se espalharam para regiões da África, Ásia, Américas e Austrália.
Longevidade e importância ambiental
A pesquisa ainda encontrou evidências de que os morcegos desenvolveram uma expectativa de vida maior em comparação com outros mamíferos de tamanho corporal semelhante. Os animais também apresentaram características associadas a uma maior resistência a doenças graves.
Segundo os cientistas, os resultados podem servir de base para novas pesquisas sobre a evolução dos morcegos e contribuir para estratégias de conservação.
Os animais desempenham funções importantes nos ecossistemas, como a polinização de plantas, a dispersão de sementes e o controle de populações de pragas.
Metrópoles