Porto Velho (RO)29 de Setembro de 202617:52:29
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Ciência & Tecnologia

Fóssil de dinossauro com penas ajuda a revelar diferentes caminhos até o voo

Espécie encontrada na China tem esqueleto quase completo e preserva marcas de penas; estudo comparou sua anatomia com a de aves antigas


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Um pequeno dinossauro coberto por penas, encontrado no nordeste da China, foi identificado como uma nova espécie e pode ajudar cientistas a entender melhor como estruturas relacionadas ao voo surgiram em diferentes grupos de animais.

Batizado de Norellraptor barsboldi, o animal fazia parte dos microrraptorinos, grupo de dinossauros considerado próximo das aves na árvore evolutiva. O estudo sobre a descoberta foi publicado nesta terça-feira (29), na revista Nature Communications.

O fóssil foi encontrado por um agricultor nas proximidades de Lamadong, na província chinesa de Liaoning. Depois, o material foi doado ao Museu da Universidade Hebei GEO.

Fóssil preserva marcas de penas

O esqueleto mede aproximadamente 57 centímetros e está quase completo. Apesar disso, algumas partes dos ossos se deslocaram depois da morte do animal.

Marcas de penas foram preservadas próximas a um dos braços, na região do quadril, na cauda e nas pernas. Segundo os pesquisadores, o estado de conservação do material não permite determinar exatamente o tamanho e o formato de toda a plumagem.

Os cientistas também consideram possível que uma das mãos tivesse penas assimétricas, característica que pode estar relacionada a estruturas envolvidas no voo.

A identificação da nova espécie foi feita a partir de um conjunto de características ósseas. Entre elas estão grandes aberturas na região do focinho, localizadas à frente dos olhos, além de uma parte da bacia levemente curvada.

O animal ainda apresentava dentes com bordas serrilhadas e uma garra curva no segundo dedo do pé, características encontradas entre os dinossauros do grupo dos microrraptorinos.

Análise dos ossos indica idade do animal

Para estimar quanto tempo o dinossauro viveu, oos pesquisadores analisaram ao microscópio uma amostra do rádio, um dos ossos do antebraço.s pesquisadores analisaram ao microscópio uma amostra do rádio, um dos ossos do antebraço.

As marcas observadas indicam que o animal viveu por mais de dois anos. Como parte das camadas mais antigas do osso pode ter sido reabsorvida durante o crescimento, os pesquisadores consideram mais seguro afirmar que ele tinha pelo menos três anos.

A análise também mostrou que o ritmo de crescimento do osso mudou ao longo da vida. Para a equipe, essa informação pode ajudar a comparar o desenvolvimento dos braços do Norellraptor com o de outros microrraptorinos, embora ainda existam poucas amostras disponíveis para esse tipo de comparação.

Caminhos diferentes para estruturas de voo

Uma das principais contribuições do fóssil está na comparação entre os microrraptorinos e as primeiras aves.

Os pesquisadores analisaram características anatômicas dos dois grupos para tentar reconstruir a ordem em que estruturas relacionadas ao voo apareceram durante a evolução.

Das 194 mudanças anatômicas identificadas na evolução dos microrraptorinos, 57 também apareceram na linhagem das aves. No entanto, a sequência dessas transformações não foi a mesma.

Nos microrraptorinos, algumas alterações nos dedos ocorreram antes das mudanças observadas nos ossos do peito, do ombro e do punho. Na linhagem das aves, a reconstrução indica uma ordem diferente, com as alterações nessas regiões acontecendo antes.

Para os autores, a diferença sugere que estruturas semelhantes relacionadas ao voo podem ter surgido por caminhos evolutivos independentes nos dois grupos.

O fóssil, porém, não permite afirmar exatamente como o Norellraptor se deslocava pelo ar. A conclusão está relacionada à história evolutiva reconstruída a partir das características dos ossos e da comparação com outras espécies, um tema que ainda pode ser ampliado por novas descobertas.

Metrópoles


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