Cientistas dos Estados Unidos estudam uma nova alternativa de contracepção masculina: uma pílula que poderá impedir temporariamente a movimentação dos espermatozoides. A proposta é que o medicamento comece a agir cerca de 30 minutos após a ingestão e mantenha o efeito por até oito horas.
O composto está sendo desenvolvido por pesquisadores da Weill Cornell Medicine, instituição de pesquisa médica localizada em Nova York. O projeto recebeu US$ 8,2 milhões em financiamento para avançar nos estudos.
Diferentemente de outros métodos experimentais, a proposta não utiliza hormônios. A substância atua sobre uma enzima envolvida na mobilidade dos espermatozoides, dificultando seu deslocamento até o óvulo.
Apesar dos resultados promissores em animais, o medicamento ainda não foi aprovado para uso humano. Sua segurança e eficácia precisarão ser comprovadas em estudos clínicos.
Como funciona a pílula masculina?
A pesquisa investiga o bloqueio temporário da enzima adenilato ciclase solúvel (sAC), que participa dos mecanismos responsáveis pela movimentação dos espermatozoides.
Ao inibir essa enzima, a substância reduz temporariamente a capacidade de movimento das células reprodutivas. O objetivo é impedir que elas alcancem o óvulo, sem interromper sua produção.
Experimentos com camundongos apresentaram resultados promissores, mas ainda é necessário verificar se o método funcionará da mesma forma em seres humanos.
Efeito pode durar até oito horas
A proposta é que a pílula seja tomada pouco antes da relação sexual, sem a necessidade de uso diário. Os pesquisadores trabalham com a possibilidade de início da ação em aproximadamente 30 minutos e duração de seis a oito horas.
Após o fim do efeito, a expectativa é que os espermatozoides recuperem a mobilidade. Essa característica é importante para que o método possa ser reversível.
No entanto, o tempo de ação e a capacidade de prevenir a gravidez ainda precisam ser confirmados em testes clínicos.
Quando o medicamento estará disponível?
Ainda não existe previsão confirmada para a chegada da pílula às farmácias. Antes disso, serão necessários estudos em humanos para avaliar a segurança, a dosagem adequada e a eficácia contraceptiva.
O financiamento de US$ 8,2 milhões deve contribuir para o avanço do projeto e para a preparação das próximas etapas da pesquisa.
Pílula não substitui a camisinha
Mesmo que seja aprovada no futuro, a pílula terá como objetivo prevenir a gravidez, sem oferecer proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Por isso, o medicamento não substituirá a camisinha na prevenção de infecções como HIV, sífilis e gonorreia.
Se os resultados forem confirmados, a descoberta poderá ampliar as opções de contracepção masculina. Por enquanto, porém, o método continua em fase de desenvolvimento.
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