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O Tribunal Criminal Central de Cork, na Irlanda, condenou, nesta semana, Miller Pacheco, de 32 anos, pelo assassinato da brasileira Bruna Fonseca, morta em 1º de janeiro de 2023. O júri levou pouco mais de uma hora para chegar a uma decisão unânime.
Bruna, de 28 anos, foi encontrada morta no apartamento alugado por Pacheco, na Liberty Street, no centro da cidade. A jovem havia ido ao local com a intenção de fazer uma chamada de vídeo para um familiar no Brasil, que cuidava do cachorro do casal. Segundo a acusação, ela foi estrangulada até a morte.
Durante o julgamento, a patologista assistente do Estado, Margaret Bolster, afirmou que o corpo apresentava mais de 65 lesões externas e internas. O padrão dos ferimentos, segundo ela, era compatível com estrangulamento manual.
Segundo o jornal local The Journal, o promotor Bernard Condon classificou o crime como um caso clássico de "Se eu não puder tê-la, ninguém terá" e descreveu Pacheco como um "manipulador" e "covarde". A acusação sustentou que o réu agiu por ciúmes e que a intenção de matar vinha sendo construída ao longo do tempo. O histórico de buscas na internet revelou pesquisas como "Como matar em três segundos" e "quais são as condições necessárias para matar alguém", feitas semanas antes do crime.
A relação entre Bruna e Pacheco havia durado cerca de cinco anos e terminou pouco depois de ambos se mudarem para a Irlanda, em 2022. Mensagens apresentadas ao júri mostraram que, mesmo após o fim, Bruna tentava ajudar o ex-companheiro, demonstrando preocupação com a saúde mental dele. Em determinado momento, ela afirmou que estava sendo "aterrorizada" e pediu que ele não a procurasse mais.
Na noite do crime, Bruna saiu para comemorar o Réveillon com amigos em um pub no centro de Cork. Lá, encontrou um conhecido brasileiro, com quem dançou e trocou um beijo -- cena que foi gravada por Pacheco sem que ela soubesse. A sobrinha da vítima, Maria Luiza Fonseca, relatou que percebeu o ex-namorado seguindo o grupo durante a festa.
Após o assassinato, Pacheco ligou por vídeo para amigos no Brasil e contou o que havia feito. Quando não acreditaram, mostrou o corpo de Bruna pelo telefone. Em sua defesa, o réu afirmou não ser "um monstro", alegando que tentou apenas contê-la.
Pela legislação irlandesa, a condenação por homicídio prevê prisão perpétua obrigatória.
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