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O dólar fechou em alta de 0,21%, a R$ 5,257, nesta segunda-feira (2), retomando ganhos após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).
No mercado doméstico, o movimento da moeda americana ficou em linha com o índice DXY -que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes-, que avançou 0,59% ao longo do dia.
Já a Bolsa subiu 0,78%, aos 182.793 pontos, impulsionada pelo desempenho das ações da Vale e de bancos brasileiros, além do fluxo de investidores estrangeiros para fora das praças norte-americanas.
Durante o pregão, os mercados financeiros continuaram reagindo a indicação de Warsh ao comando do banco central dos Estados Unidos, com a moeda americana se beneficiando de um cenário de menor incerteza.
"Essa recuperação do dólar ocorre na esteira das decisão de Trump sobre o novo presidente do Fed, que, por ora, dissiparam parte das preocupações em relação à independência da instituição", diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Warsh é visto como um defensor da postura "hawkish" (agressiva no combate à inflação e defensor de juros altos), que vai na contramão do que vem defendendo Trump, que exige a redução dos juros para 1%. Atualmente, a taxa está entre 3,5% e 3,75%.
O indicado deve assumir o cargo em maio, quando acaba o mandato de Jerome Powell. A indicação de Warsh para o cargo precisa ser confirmada pelo Senado até 15 de maio, data que marca o fim do mandato de Powell.
Operadores temiam tentativas de interferência política nas decisões do Fed através da escolha do novo presidente. A percepção é de que Warsh é um "nome com credibilidade" e que, apesar de defender juros baixos, "teria uma postura 'hawkish'", segundo análise de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Declarações de membros da Casa Branca sobre o indicado ao cargo, contudo, defendem que Warsh poderá ser mais flexível na abordagem de juros do que o projetado. "Warsh deverá ter uma postura mais sensível ao crescimento econômico e menos inclinada à manutenção de juros elevados por tempo prolongado", diz Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.
A notícia também reverberou nesta segunda sobre o setor de metais preciosos após sucessivos recordes nas últimas semanas. O ouro chegou a cair 10% e a prata, 15%, nesta manhã.
Isso aconteceu porque, caso se confirme, juros mais altos nos EUA significam que aplicar em títulos do governo americano fica mais atraente e rentável. Investidores estavam comprando ativos reais -como ouro, prata e outras commodities- com a perspectiva de juros mais baixos, buscando maior proteção de valor. Com o cenário mudando, essas posições ficam mais arriscadas, levando a venda desses ativos.
Kevin Warsh foi indicado na sexta-feira (30) pela manhã pelo presidente norte-americano, em decisão que dialoga com os ataques recorrentes de Trump a Powell, indicado pelo republicano em seu primeiro mandato, em 2017, e reconduzido ao cargo pelo democrata Joe Biden, em 2021.
Desde o início do segundo mandato de Trump, Powell tem sido alvo de críticas por resistir às pressões da Casa Branca por cortes mais agressivos na taxa de juros.
O dia também foi marcado pela queda das ações da Petrobras e de outras empresas do setor de petróleo acompanhando a baixa da commodity, que chegou a despencar mais de 5% nesta manhã.
A queda do petróleo é motivada pela presidente dos EUA, Donald Trump, de que o Irã estava "conversando seriamente" com Washington, sinalizando um acordo entre os países.
Na semana passada, o preço do petróleo disparou após as tensões entre os países escalarem.
No cenário doméstico, investidores também estiveram atentos a retomada das atividades do Congresso e STF. Entre as pautas, a possibilidade da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master foi acompanhando por analistas.
Além disso, a possível indicação do secretário de política econômica da Fazenda, Guilherme Melo, para diretoria do BC, também esteve no radar durante o pregão, afetando juros futuros.
Ao longo do dia, a taxa do contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) de janeiro de 2028 subiu de 12,69% para 12,71%; o de janeiro de 2029 avançava de 12,69% para 12,75%; e o de janeiro de 2031 saiu de 13,04% para 13,14%. No vencimento de 2035, a taxa passou de 13,30% para 13,42%..
"Depois que o nome de Guilherme Mello passou a circular, a sensação predominante foi de desconforto e cautela, e isso costuma aparecer como juros mais altos nos prazos mais longos, ou seja, o mercado pede uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo por muitos anos, porque fica mais inseguro", diz Rafael Lima, CEO da fintech Ótmow.
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