Filippo Monteforte / AFP
O papa Leão XIV apelou aos líderes mundiais para que ponham fim à ‘loucura da guerra’ entre Estados Unidos e Irã, em uma vigília especial de oração realizada na Basílica de São Pedro, neste sábado (11). O evento ocorreu no mesmo dia em que autoridades dos dois países se reúnem no Paquistão para discutir o término do conflito, que já dura seis semanas.
Durante a vigília, o primeiro papa norte-americano condenou o uso da linguagem religiosa para justificar a guerra, afirmando que a ‘ilusão de onipotência que cerca o mundo está se tornando cada vez mais imprevisível’. Em um apelo direto, ele exclamou: ‘Parem! É hora da paz! Sentem-se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeja o rearmamento’.
Conhecido por sua linguagem cuidadosa, Leão XIV se posicionou como crítico declarado da guerra no Irã, utilizando termos vigorosos para denunciar o conflito. Ele citou cartas de crianças em zonas de guerra, que descrevem ‘horror e desumanidade’, e reafirmou a oposição da Igreja à invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003, referenciando o apelo do falecido papa João Paulo II feito quatro dias antes do início daquele conflito.
O pontífice também declarou: ‘Chega da idolatria do eu e do dinheiro! Chega de exibição de poder! Chega de guerra!’. Em referência a uma declaração anterior de 30 de março, em que disse que Deus rejeita as orações de líderes que iniciam guerras e têm as ‘mãos cheias de sangue’, Leão XIV denunciou novamente o uso da linguagem cristã para justificar ações bélicas.
Ele alertou que ‘o equilíbrio dentro da família humana foi severamente desestabilizado’ e que ‘até mesmo o santo Nome de Deus, o Deus da vida, está sendo arrastado para discursos de morte’. Declarações anteriores do papa foram interpretadas por comentaristas católicos conservadores como dirigidas ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que invocou linguagem cristã para justificar os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã.
O serviço especial de oração foi anunciado pelo papa na mensagem de Páscoa do último domingo.
Jornal de Brasilia