Abiec/ Divulgação
A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) informou, em nota, que a China suspendeu temporariamente a compra de três frigoríficos brasileiros. As unidades interrompidas preventivamente são da JBS, PrimaFoods e Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos, que atende pelo nome fantasia Frialto.
A entidade informou que a medida foi adotada em função da identificação de resíduos em desacordo com os requisitos sanitários chineses e tem caráter temporário e preventivo.
Segundo a associação, o intuito da suspensão é "permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências técnicas necessárias pelas empresas envolvidas e pelas autoridades competentes".
A Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) alegou que as cargas continham a presença de resíduos de acetato de medroxiprogesterona, um hormônio sintético usado na medicina veterinária para controlar o ciclo reprodutivo de animais. A substância é proibida no país asiático.
As unidades suspensas estão localizadas nos municípios de Pontes e Lacerda, no Mato Grosso (JBS); Araguari, em Minas Gerais (PrimaFoods); e Matupá, no Mato Grosso (Frialto).
Segundo a Abiec, "o tema segue sendo tratado no âmbito técnico entre Brasil e China, com vistas à rápida normalização da situação".
A medida restritiva ocorre logo após a liberação dos embarques por parte de outros três frigoríficos brasileiros que estavam suspensos desde o ano passado.
Um deles também pertence a JBS, localizado em Mozarlândia (GO). Os outros dois são da Frisa, em Nanuque (MG), e da Bon-Marte, em Presidente Prudente (SP).
Segundo a associação, foram requisitadas autorizações para embarques à China para 20 plantas de carne bovina, 11 de aves e duas de suínos, durante reunião esta semana entre o governo brasileiro e o chinês em Pequim.
Hoje, 63 frigoríficos brasileiros estão autorizados a exportar carne bovina para a China. "Eu tenho certeza que a China não vai apertar o cerco por razões econômicas, porque eles já apertaram o cerco quando fizeram a salvaguarda para restringir fortemente a entrada de carne. Eu acho que isso deve ter a ver com problemas que realmente tenham ocorridos na área sanitária", afirma à Folha Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global.
O país asiático é o principal destino da proteína nacional. De janeiro ao fim de abril, o Brasil embarcou 612.868 toneladas e respondeu por 56,9% das importações de carne bovina in natura chinesas.
Com esse volume, as exportações brasileiras para a China consumiram 55,4% da cota anual disponível ao país em 2026, segundo dados compilados pela Abiec a partir do Ministério do Comércio da China e da Administração Geral das Alfândegas da China.
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