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A decisão do governo dos Estados Unidos que designou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em listas de terrorismo do país pode afetar, diretamente, indivíduos e instituições brasileiras.
É o caso de empresas da Faria Lima, o principal centro econômico do país, e da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, alvos de investigações por ligações com a facção paulista.
Segundo um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA ouvido pelo Metrópoles, inicialmente as medidas afetam propriedades e interesses do PCC e CV que estejam em território norte-americano, ou em controle de cidadãos do país.
No entanto, as penalidades coordenadas pelo Departamento de Estado e o Departamento do Tesouro norte-americano podem atingir cidadãos estrangeiros, como brasileiros, que mantenha vínculos com as duas facções — agora classificadas como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT) e Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).
"Pessoas que realizam determinadas transações ou atividades com essas entidades ou esses indivíduos podem se expor ao risco de sanções", disse um porta-voz da diplomacia norte-americana à reportagem. "Notavelmente, realizar certas transações com as organizações designadas atualmente acarreta o risco de sanções secundárias de acordo com as leis antiterroristas".
Sanções secundárias são penalidades financeiras aplicadas pelo governo dos EUA, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), contra pessoas, ou instituições, que mantém relações com atores já sancionados pelo país, como é o caso do PCC e CV. A classificação de organizações terroristas contra as duas facções passará a valer a partir do próximo dia 5 de junho.
Exemplos de tais punições foram aplicadas recentemente contra cidadãos do Irã, Iraque, Turquia e Jordânia, ligados ao setor petrolífero iraniano.
Deolane Bezerra está presa desde o dia 21 de maio, suspeita de fazer parte de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (CVV). Investigações recentes também atingiram empresas, fintechs e fundos de investimentos na Faria Lima também participaram da lavagem de bilhões de reais da facção comandada por Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Metrópoles