Porto Velho (RO)16 de Julho de 202619:07:46
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Dólar sobe e Bolsa cai 1,24% após tarifaço dos EUA contra Brasil

Mercado reage à sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelos EUA; dólar sobe e Wall Street fecha em baixa


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O dólar comercial encerrou o pregão em alta, cotado a R$ 5,098, ao mesmo tempo em que o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 1,24% nesta quinta-feira (16/7), aos 173,8 mil pontos. O movimento foi impulsionado principalmente pela confirmação do tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros, que passará a valer a partir de 22 de julho.

A medida, anunciada pelo governo do presidente Donald Trump na noite de quarta-feira (15/7), atinge milhares de produtos brasileiros, embora tenha preservado parte importante da pauta exportadora do país, como carne bovina, café, suco de laranja e componentes aeronáuticos. Ainda assim, investidores passaram o dia recalculando os impactos do tarifaço sobre a balança comercial brasileira e sobre as empresas mais expostas ao comércio internacional.

Tarifaço pressiona Bolsa

Segundo Marcos Bassani, especialista em investimentos da Boa Brasil Capital, a reação negativa do mercado brasileiro decorre principalmente do anúncio americano.

"Nossa bolsa cai hoje após os Estados Unidos anunciarem que vão cobrar um imposto extra de 25% sobre vários produtos que o Brasil vende para lá, a partir do dia 22 de julho. Isso assusta os investidores porque empresas que exportam ou dependem do comércio com os EUA podem vender menos ou ganhar menos dinheiro", disse Bassani.

O especialista afirma que o cenário ainda é marcado por grande incerteza.

"Ninguém sabe com certeza porque ainda tem muita coisa em aberto. A tarifa só começa a valer de verdade dia 22, a guerra no Oriente Médio não terminou e o Federal Reserve ainda não decidiu o que vai fazer com os juros. O mais provável é que o mercado continue instável", acrescentou.

Entre as ações mais negociadas do índice, a Petrobras caiu 1,95%, acompanhando a correção dos preços do petróleo no mercado internacional. Já a Vale recuou 2,05%, enquanto o Bradesco registrou baixa de 2,02%. Para Bassani, a mineradora foi particularmente afetada pelo aumento das preocupações com o comércio global.

Dólar avança com busca por proteção

No mercado de câmbio, o dólar voltou a ganhar força frente ao real. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, avançou 0,20%, aos 100,72 pontos.

Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, avalia que o movimento refletiu a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros diante do agravamento das tensões comerciais.

"O pregão desta quinta-feira caminha para o encerramento marcado por uma forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, impulsionada pela confirmação de novas sobretaxas dos Estados Unidos contra produtos nacionais", analisou Rebecca.

Segundo a especialista, o comportamento do câmbio evidencia a preocupação do mercado com possíveis desdobramentos do impasse entre Brasília e Washington.

"Essa escalada contínua tem como motor a tarifa de 25% anunciada pelo governo americano. A corrida para a segurança da moeda dos EUA evidencia não só o peso financeiro da medida, mas também o receio de uma guerra comercial mais ampla."

Petróleo corrige e Wall Street cai

Depois das altas registradas nos últimos pregões, o petróleo devolveu parte dos ganhos nesta quinta-feira. O barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, caiu 0,85%, encerrando o dia cotado a US$ 84,23. Já o WTI recuou 0,82%, para US$ 78,95 por barril.

Nos EUA, o dia também foi de perdas nos principais índices acionários. O S&P 500 caiu 0,51%, o Dow Jones recuou 0,20% e o Nasdaq 100 perdeu 1,62%, pressionado principalmente pelas ações do setor de tecnologia. Apesar de balanços positivos divulgados por algumas empresas do segmento de semicondutores, investidores realizaram lucros após a forte valorização acumulada pelo setor nos últimos meses.

O mercado segue atento aos desdobramentos do tarifaço americano e às eventuais respostas do governo brasileiro, fatores que devem continuar ditando o humor dos investidores nos próximos pregões.

Metrópoles


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