Porto Velho (RO)23 de Agosto de 202620:21:39
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Estudo da Ueap encontra quase 400 parasitas em peixes do Rio Araguari, no Amapá

Pesquisa identificou 399 larvas de nematóides em peixes coletados em Porto Grande; infestação preocupa pescadores e afeta a comercialização do pescado


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Uma pesquisa da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) identificou 399 parasitas em peixes do Rio Araguari, em Porto Grande, a cerca de 102 quilômetros de Macapá. O estudo começou após pescadores relatarem a presença de vermes na carne dos peixes capturados na região.

Os primeiros relatos chegaram às autoridades em agosto de 2024, quando moradores procuraram a Secretaria de Estado da Pesca e Aquicultura (Sepaq) e a universidade. No mês seguinte, pesquisadores coletaram 19 peixes de diferentes espécies para análise em laboratório.

Os exames apontaram uma concentração elevada de parasitas, encontrados principalmente na região dorsal e na cabeça dos animais. Segundo os pesquisadores, trata-se de larvas de nematóides do gênero Eustrongylides, que podem se alojar na musculatura dos peixes.

Embora a presença de parasitas faça parte do funcionamento natural dos ecossistemas, a quantidade identificada no Rio Araguari chamou a atenção dos pesquisadores.

Segundo Marcos Sidney, coordenador do curso de Engenharia de Pesca da Ueap, os índices registrados na área estão acima do que seria considerado natural para o ambiente.

Impacto na pesca

A presença dos vermes na carne dos peixes prejudicou a comercialização do pescado e afetou diretamente a renda de moradores que dependem da pesca artesanal.

Pescadores também relatam mudanças na rotina das comunidades e demonstram preocupação com os possíveis impactos do consumo de peixes contaminados.

De acordo com os pesquisadores, alterações provocadas pela atividade humana podem estar relacionadas à proliferação dos parasitas. Entre os fatores considerados estão a retirada da vegetação nativa, a instalação e operação de hidrelétricas, atividades de mineração e a extração de seixos.

Os cientistas, no entanto, ressaltam que ainda não é possível apontar uma causa específica para o aumento da infestação.

Novas análises

A universidade pretende realizar novos estudos para investigar a origem da concentração elevada de parasitas e orientar as comunidades que vivem às margens do rio.

O pesquisador Marcos Sidney também alertou que o consumo de peixes infectados pode provocar sintomas como dores abdominais e perda de apetite, reforçando a necessidade de atenção antes do consumo do pescado.

G1 Amapa


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