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Dólar sobe com petróleo acima de US$ 90 e nova ameaça de Trump ao Irã

Moeda americana registrou alta de 0,32% frente ao real, cotada a R$ 5,19. Ibovespa, o principal índice da B3, manteve-se estável


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Costfoto/NurPhoto via Getty Images

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O dólar registrou alta de 0,32% frente ao real, cotado a R$ 5,19, nesta quinta-feira (20/8). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou com elevação de 0,06%, aos 167,9 mil pontos. Pequena, na prática, a variação indicou estabilidade do indicador.

Os mercados de câmbio e de ações no Brasil seguiram, em grande medida, o movimento global, com valorização do dólar e queda das bolsas. O principal vetor do pregão, observam analistas, foi o repique da tensão entre Estados Unidos e Irã — cujo resultado prático foi a alta do petróleo (veja cotações abaixo).

O clima ficou mais pesado no Oriente Médio na quarta-feira (19/8), quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um novo cerco ao Irã. Ele definiu a estratégia como o "Dia D Econômico".

Em suma, o republicano disse que qualquer país que permita que suas "instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais" forneçam algum tipo de "apoio vital" ao Irã enfrentará "consequências econômicas tremendas".

Alta do petróleo

Como mencionado, o resultado prático das declarações foi a alta do petróleo, que atingiu o maior valor em mais de três semanas. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, avançou 2,36%, a US$ 93,78. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, aumentou 2,89%, a US$ 86,83.

Quadro internacional

Nesse contexto, o câmbio no Brasil acompanhou o movimento global de elevação da moeda americana. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), avançava 0,12%, aos 98,91 pontos, às 16h10.

Os principais índices de Nova York recuaram. Às 16h20, a baixa era de 0,69%, no S&P 500; de 1,14%, no Dow Jones; e de 0,94%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Análises

Na avaliação de Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a nova ameaça de Trump criou um clima de forte cautela nos mercados globais. "No Brasil, a preocupação eleitoral também ganha força e ajuda a pressionar o real, num dia de agenda doméstica mais fraca em que o câmbio segue basicamente ditado pelo cenário externo", afirma.

Kayo nota que, para manter a estabilidade, o Ibovespa se valeu do colchão formado pela alta das ações de empresas ligadas a commodities. Petrobras (+2,64%) e Vale (+2,54%) subiram no pregão.

Quedas

João Vitor Saccardo, especialista em renda variável da Convexa, observa que, apesar da valorização dos papéis da petrolífera e da mineradora, as ações dos bancos e de empresas ligadas ao ciclo doméstico caíram, em mais um dia de aversão ao risco.

Juros futuros

Rafael Dadoorian, da mesa de renda fixa da mesma corretora, destaca que os juros futuros operaram em alta, com avanço próximo de 0,50% nos vencimentos intermediários e longos.

"O movimento segue a abertura dos juros americanos, depois que o alívio provocado pelo anúncio de recompra de títulos pelo Tesouro dos Estados Unidos, na quarta-feira (19/8), perdeu força", diz. "O mercado está preocupado com a inflação e as questões fiscais nos EUA, enquanto a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), divulgada na véspera, manteve aberta a possibilidade de novas elevações dos juros caso a inflação não desacelere."

Metrópoles


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