Porto Velho (RO)22 de Setembro de 202614:24:40
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Orbitador lunar localiza nova cratera ‘única na vida’ na Lua

‘Cicatriz’ é a maior recém-formada no sistema solar desde o início do monitoramento humano


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NASA Goddard/Intuitive Machines/Robert Wagner via CNN Newsource

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 A superfície da Lua passou por um encontro violento com um cometa ou um asteroide — e tem uma enorme cicatriz de batalha para provar isso. A rocha espacial, estimada como tendo o tamanho de um edifício de três a seis andares, colidiu contra a borda leste da Lua há dois anos, entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, embora os pesquisadores não tenham notado na época. O impacto deixou para trás uma cratera medindo 222 metros de largura, ou pouco mais que o comprimento de dois campos de futebol.

Identificada no ano passado, a cratera também atinge 43 metros de profundidade — espaço suficiente para três ônibus escolares empilhados uns sobre os outros.

Cientistas afirmaram que a formação lunar marca a maior cratera recém-formada já encontrada no sistema solar desde que os humanos começaram a monitorar essas características, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira (16) no periódico Science Advances.

"Modelos de produção de crateras indicam que um impacto dessa magnitude é esperado apenas uma vez a cada 132 anos na Lua", escreveram os autores no estudo.

"Dessa forma, este evento constitui uma observação estatisticamente rara e, com efeito, única na vida."

Os autores do estudo batizaram a formação de cratera McGetchin em homenagem ao Dr. Thomas McGetchin, falecido cientista lunar da era Apollo, que contribuiu para uma compreensão mais ampla sobre a formação de crateras de impacto na Lua.

Antes dessa descoberta, a maior cratera de impacto contemporânea encontrada na Lua tinha um diâmetro estimado de 70 metros.

Diferente da Terra, a superfície da Lua é repleta de crateras e não conta com uma atmosfera protetora para resguardá-la do bombardeio de rochas espaciais ao longo de bilhões de anos.

Encontrar uma nova cratera em meio à multidão de formações existentes parece um pouco como procurar uma agulha em um palheiro, mas um orbitador da Nasa (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) que está circulando a Lua há mais de 17 anos ajudou os cientistas a focarem no grande ponto brilhante cercado por uma auréola escura.

Os cientistas usaram dados do Lunar Reconnaissance Orbiter para estudar o impacto da cratera e o quanto a colisão perturbou a área ao redor.

As informações revelam que a Lua — um destino de alta prioridade para a Nasa e outras agências espaciais visando a exploração humana contínua — ainda é um centro de atividade de impactos que precisa ser monitorado, pois pode representar uma ameaça a eventuais pessoas e infraestruturas na superfície.

"Fico surpreso quase todos os dias quando chego ao trabalho e olho as imagens mais recentes da Lua — mesmo após 17 anos de operação", escreveu em um e-mail o coautor do estudo Mark Robinson, pesquisador principal da Lunar Reconnaissance Orbiter Camera na empresa aeroespacial Intuitive Machines, com sede no Texas.

De olho na Lua

O Lunar Reconnaissance Orbiter, ou LRO (Orbitador de Reconhecimento Lunar), tem sido incansável desde o seu lançamento em 2009, utilizando sete instrumentos para criar mapas da temperatura, composição da superfície, topografia e radiação da Lua.

Ele se desloca em um circuito de polo a polo, com duas câmeras para capturar imagens a 97 quilômetros da superfície lunar.

Como resultado, a sonda também permitiu aos cientistas rastrear pelo menos 1.000 novas crateras de impacto e outras 100.000 mudanças na superfície, incluindo deslizamentos de terra e até mesmo módulos de pouso que colidem contra o solo lunar.

Pequenas rochas espaciais, pequenas demais para serem vistas, geram muitas das marcas e crateras da Lua.

Cerca de 140 novas crateras que surgem na Lua todos os anos — algumas das quais podem atingir cerca de 9 metros de diâmetro — são obra de rochas espaciais medindo cerca de 109 centímetros de largura.

No entanto, a cada poucos anos, conforme os cientistas analisam imagens detalhadas do LRO, eles buscam formações maiores, comparando novos mapas lunares com versões mais antigas.

O coautor do estudo, Robert Wagner, especialista em processamento de imagens na Intuitive Machines, que trabalha com dados da Lunar Reconnaissance Orbiter Camera, avistou a McGetchin em 24 de outubro de 2025, enquanto observava imagens sobrepostas de antes e depois do LRO que destacam variações de superfície anomalamente escuras ou brilhantes.

"Eu simplesmente parei, larguei tudo e comecei a investigar o que era aquele ponto", afirmou Wagner em um comunicado.

O processo não é simples, visto que o software usado pelos cientistas do LRO sinaliza qualquer alteração ligada à iluminação ou sombras. A equipe examina cada detecção e avalia se é real ou um falso positivo, disse Robinson.

Contudo, a McGetchin chamou a atenção de Wagner.

"Foi, de longe, o padrão de detritos de impacto mais evidente que já vi em uma dessas imagens", afirmou.

Para confirmar a descoberta, a equipe recorreu a imagens nítidas e em close-up capturadas pela Narrow-Angle Camera do orbitador, o que também permitiu aos pesquisadores medir a forma, o tamanho e o impacto da cratera no terreno circundante.

Uma equipe separada de cientistas analisou dados do instrumento térmico Diviner do LRO, que revelou uma área com extensão de 6,4 quilômetros de largura ao redor da cratera, registrando cerca de 8,9 ºC a menos durante a noite em comparação com o restante da região.

Eles compartilharam seus resultados em um segundo artigo publicado na quarta-feira no periódico Science Advances.

"Observações anteriores do Diviner mostraram que crateras de impacto lunar recentes estão frequentemente associadas a ‘pontos frios’", escreveu por e-mail o autor principal do estudo, Tyler Powell, cientista planetário e pós-doutorando no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.

"Sua grande extensão indica que os impactos podem modificar a superfície muito além da própria cratera", pontuou Powell. "Tivemos muita sorte de ela ter se formado durante a vida útil da missão LRO e de conseguirmos observar a região tanto antes quanto depois do impacto."

Os cientistas acreditam que os pontos frios ocorrem devido a perturbações na superfície lunar, "criando uma camada mais fofa que tem menor capacidade de reter calor ao longo da noite", acrescentou Powell.

O que as crateras podem revelar

O rastreamento de mudanças na superfície lunar é crucial para determinar a regularidade com que as rochas espaciais atingem a Lua e como os asteroides se fragmentam ao se chocarem contra um corpo rochoso, explicou Robinson.

Estudar novas crateras também pode fornecer informações sobre o que acontece no exato momento do impacto, disse ele.

Compreender a taxa e a magnitude desses impactos na Lua pode ser essencial para o planejamento futuro de uma base lunar e de outras infraestruturas, conforme o programa Artemis da NASA trabalha para levar os seres humanos de volta à superfície da Lua em missões de exploração de longo prazo.

Crateras de impacto também ajudaram a moldar as superfícies dos planetas rochosos e das luas em todo o nosso sistema solar, disse Jeff Andrews-Hanna, professor no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona. Andrews-Hanna não esteve envolvido em nenhum dos dois estudos.

"Um impacto como esse deveria ser raro na Lua, mas eventos raros acontecem. O objeto que originou esta cratera pode ter tido um tamanho próximo ao do meteoro de Chelyabinsk que explodiu sobre a Rússia", escreveu Andrews-Hanna em um e-mail, referindo-se a um asteroide que entrou na atmosfera da Terra sobre Chelyabinsk, na Rússia, em 2013.

Com tamanho aproximado de 17 a 20 metros, o asteroide de Chelyabinsk explodiu no ar, liberando de 20 a 30 vezes mais energia do que a bomba atômica lançada sobre Hiroshima, no Japão, e gerando um brilho superior ao do Sol.

Os fragmentos da rocha espacial danificaram mais de 7.000 edifícios e feriram mais de 1.000 pessoas.

"Se algo assim atravessasse nossa atmosfera e atingisse a superfície da Terra, não seria catastrófico, mas certamente notaríamos", disse Andrews-Hanna.

"Esses acontecimentos servem para nos lembrar de quão vulneráveis somos, e de como é importante catalogar e rastrear asteroides próximos à Terra que possam potencialmente atingir o nosso planeta."

D24am


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