A Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou ao menos 443 detenções arbitrárias e 97 episódios de maus-tratos contra civis no Afeganistão entre julho e setembro de 2026. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (15) em um relatório da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama).
Segundo o documento, as ocorrências foram atribuídas a autoridades do Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício, órgão que funciona como uma espécie de polícia moral desde o retorno do Talibã ao poder, há cerca de cinco anos.
Entre os motivos apontados para as detenções estão supostas violações das regras sobre o uso do hijab, véu tradicional usado por algumas mulheres muçulmanas, além de exigências relacionadas à aparência dos homens, como cortes de cabelo e barbas.
O levantamento também identificou ao menos 14 detenções arbitrárias de ex-integrantes das Forças Armadas do antigo governo afegão entre 1º de julho e 30 de setembro. No mesmo período, quatro ex-militares foram mortos.
Restrições às mulheres
A missão da ONU também registrou casos de mulheres impedidas de entrar em hospitais e shopping centers por estarem desacompanhadas de familiares.
Desde que retomou o controle do país, o Talibã impôs regras baseadas em sua interpretação da lei islâmica, a sharia. As medidas restringem direitos das mulheres, incluindo o acesso à educação e a cargos públicos, além de limitar sua circulação e participação na vida pública.
Talibã contesta relatório
Após a divulgação do documento, o Talibã acusou a ONU de parcialidade. Em comunicado publicado nas redes sociais, o porta-voz do grupo, Zabihullah Mujahid, afirmou que as detenções ocorreram em conformidade com as leis e regulamentos do país.
Segundo ele, as medidas teriam como objetivo impedir atos considerados contrários à sharia islâmica.
Metrópoles