Porto Velho (RO)06 de Novembro de 202609:13:37
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Senado do Paraguai retoma julgamento de impeachment de Santiago Peña nesta sexta-feira (6)

São necessários 30 votos dos 45 senadores para aprovar o afastamento


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O Senado do Paraguai retoma nesta sexta-feira (6) a análise do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. O chefe do Executivo é acusado de envolvimento em irregularidades relacionadas ao ueno bank, instituição financeira que encerrou as atividades e deixou milhões de clientes sem acesso às contas bancárias.

A sessão está prevista para as 10h, no horário de Brasília, e será destinada à apresentação da defesa de Peña. O presidente poderá comparecer pessoalmente ou enviar um advogado para representá-lo. Nesta manhã, no entanto, ele solicitou mais prazo para se defender.

O processo foi aberto pela Câmara dos Deputados na quinta-feira (5), após a aprovação das denúncias contra o presidente. Na primeira sessão do julgamento, os senadores também escolheram os parlamentares que vão integrar a comissão responsável pela análise do caso.

De acordo com Basilio Núñez, presidente do Congresso paraguaio, o procedimento será dividido em cinco etapas e não deverá ser concluído em um único dia. Após a defesa, os parlamentares analisarão as provas apresentadas pelas duas partes e ouvirão os argumentos finais da acusação e dos representantes do presidente.

Ao término dessas etapas, os 45 senadores votarão o pedido de impeachment. Para que Peña seja afastado, são necessários pelo menos 30 votos favoráveis, correspondentes a dois terços da Casa.

Se condenado, o presidente perderá o mandato e também o direito de ocupar uma cadeira vitalícia no Senado. Caso o impeachment seja aprovado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o comando do país e deverá concluir o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. Se for absolvido, Peña permanecerá no cargo.

Crise envolvendo o ueno bank

A abertura do processo de impeachment ocorreu após o encerramento das atividades do ueno bank, pertencente ao Grupo Vázquez. A instituição teve a liquidação iniciada pelo Banco Central do Paraguai na terça-feira (3), após a identificação de insuficiência de recursos para cumprir suas obrigações financeiras.

O banco tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

Peña foi acionista do grupo proprietário da instituição até março de 2025. Após o colapso do banco, parlamentares da oposição passaram a questionar a relação do presidente com o grupo e apontaram possíveis conflitos de interesse, alterações em regras e irregularidades envolvendo recursos previdenciários.

As acusações também incluem suspeitas de que o Banco Central teria omitido problemas financeiros da instituição.

Renúncia e processo de impeachment

A crise política também envolve uma tentativa de renúncia de Santiago Peña. Na manhã de quinta-feira (5), após a Câmara aprovar a abertura do impeachment, o presidente divulgou um vídeo anunciando sua decisão de deixar o cargo.

Na gravação, ele pediu desculpas aos paraguaios que perderam o acesso ao dinheiro depositado no banco e afirmou que a renúncia seria uma medida para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.

A saída, porém, precisava ser analisada pelo Congresso. Durante a sessão conjunta, os parlamentares começaram a discutir o pedido, mas a votação foi interrompida.

A oposição defendeu a rejeição da renúncia e a continuidade do impeachment. Parlamentares argumentaram que uma saída voluntária poderia permitir que Peña assumisse uma vaga de senador vitalício, condição que garante imunidade parlamentar.

O senador oposicionista Líder Amarilla afirmou que aceitar a renúncia poderia dificultar a responsabilização do presidente por eventuais irregularidades relacionadas ao caso.

Já os governistas defenderam que a saída de Peña seria uma alternativa para encerrar a crise e permitir a transferência do comando do país ao vice-presidente Pedro Alliana. Também sustentaram que o Congresso poderia analisar uma eventual retirada da imunidade parlamentar, caso houvesse solicitação da Promotoria.

G1


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