Porto Velho (RO)29 de Agosto de 202613:26:14
EDIÇÃO IMPRESSA
Plantão de Polícia

Justiça torna réus delegado e policiais civis investigados por esquema de tráfico de drogas na Paraíba

Investigação aponta que grupo desviava carregamentos de facções rivais para revender os entorpecentes


Imagem de Capa

PUBLICIDADE

A Justiça da Paraíba recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) contra oito investigados na Operação Perfídus. Com a decisão, assinada na terça-feira (25), o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge, além de outros cinco investigados, passaram à condição de réus.

A investigação apura a existência de uma organização criminosa formada por policiais e pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Conforme a denúncia do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), o grupo teria utilizado a estrutura policial para interceptar e tomar carregamentos de drogas pertencentes a organizações criminosas rivais.

Os entorpecentes que seriam apreendidos ilegalmente pelos integrantes do grupo, segundo o Ministério Público, eram posteriormente colocados novamente no mercado clandestino. A organização também é investigada por lavagem de dinheiro e pela utilização de informações sigilosas para facilitar as atividades criminosas.

A apuração teve como foco servidores que trabalhavam na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, e que teriam estabelecido vínculos com integrantes do narcotráfico.

Justiça aponta indícios para abertura do processo

Ao analisar a denúncia, a Justiça entendeu que havia elementos suficientes para dar início à ação penal. A decisão considera que o Ministério Público apresentou uma descrição dos crimes investigados, indicou a participação atribuída a cada denunciado e reuniu elementos que apontam, neste momento, para a existência dos crimes e possíveis autores.

Com o recebimento da denúncia, os oito investigados passam oficialmente a responder ao processo. Eles ainda poderão apresentar defesa e contestar as acusações ao longo da ação penal.

A Justiça também manteve a prisão preventiva de Braz Morroni de Paiva Júnior, Everton Rychelyson da Silva Aires, Eduardo Jorge Ferreira do Egito, José Alexandrino de Lira Júnior, João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral e Paulo Ricardo Barbosa de Souza.

Entre os argumentos utilizados para manter as prisões estão a gravidade dos fatos investigados, a suspeita de que os envolvidos façam parte de uma organização estruturada e a possibilidade de interferência na investigação ou na produção das provas.

Uma mulher investigada no caso cumpre prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.

Qual seria a função de cada investigado

De acordo com a acusação, Braz Morroni teria ocupado uma posição de liderança dentro da estrutura policial relacionada ao esquema. Everton Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado", é apontado como responsável por fazer a ligação entre policiais e integrantes de facções.

Eduardo Jorge Ferreira do Egito, chamado de "Mão Branca", teria participado diretamente da retirada de drogas de locais de armazenamento. Segundo as investigações, ele teria utilizado viaturas oficiais, acompanhado carregamentos com rastreadores e escondido entorpecentes em sua própria residência.

José Alexandrino de Lira Júnior é apontado como articulador de atividades relacionadas ao tráfico interestadual.

Já João Wicttor Alves de Lima é acusado de envolvimento com o refino, a adulteração e a distribuição de cocaína e crack na Região Metropolitana de João Pessoa. Brendo Roberth Fernandes Sobral teria atuado na manipulação e distribuição de drogas no comércio varejista.

Paulo Ricardo Barbosa de Souza, segundo o Ministério Público, teria desempenhado diferentes funções no esquema, incluindo o repasse de informações e a distribuição de drogas. Ele também é acusado de participar de abordagens realizadas em conjunto com policiais.

As atribuições descritas fazem parte das acusações apresentadas pelo Ministério Público e ainda serão analisadas durante o processo.

Defesa contesta acesso às provas

A defesa de Eduardo Jorge afirmou que ainda não teve acesso completo aos elementos reunidos durante as medidas cautelares da investigação.

Em manifestação, os advogados disseram que, apesar de não terem acesso integral ao material, o compartilhamento das provas com outros processos penais já teria sido autorizado a pedido do próprio Ministério Público. A defesa sustenta que é necessário garantir o contraditório, a ampla defesa e a igualdade de condições entre acusação e defesa.

As demais defesas também não tiveram posicionamento divulgado.

Próximas etapas do processo

Com o recebimento da denúncia, os oito réus serão citados para apresentar resposta à acusação em até 10 dias. Nesse momento, as defesas poderão apresentar documentos, indicar testemunhas e questionar os pontos apresentados pelo Ministério Público.

Depois, o processo seguirá para a fase de instrução, quando serão produzidas novas provas e ouvidos testemunhas e acusados.

A Justiça também autorizou que elementos obtidos na investigação sejam compartilhados com outros inquéritos, procedimentos da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e apurações conduzidas pelo Ministério Público.

A Operação Perfídus investiga suspeitas de tráfico de drogas, corrupção, organização criminosa e vazamento de informações sigilosas. Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. Também houve determinação judicial para bloquear aproximadamente R$ 10 milhões pertencentes aos investigados.

O nome da operação faz referência à ideia de traição ou deslealdade, em alusão à suspeita de que agentes públicos teriam usado as próprias estruturas do Estado para favorecer atividades criminosas.

G1 Paraíba


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Últimas notícias de Plantão de Polícia