Porto Velho (RO)27 de Outubro de 202611:20:41
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Plantão de Polícia

Operação investiga ex-líder espírita por suspeita de violência sexual contra mulheres

Mandados de busca foram cumpridos em Goiânia; investigação apura suspeita de exploração da fé e da vulnerabilidade social das vítimas


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O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) realizou, nesta terça-feira (27), uma operação para investigar o ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, localizada no Jardim Guanabara II, em Goiânia (GO). O investigado é suspeito de cometer crimes de violência sexual contra mulheres e de divulgar fotos e vídeos íntimos de uma das vítimas.

A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado, incluindo a sede da comunidade religiosa. A investigação começou após uma denúncia apresentada por uma mulher que integrava a instituição.

Segundo o MP-GO, o ex-presidente teria utilizado sua posição de autoridade religiosa e a fé das mulheres para submetê-las a situações que podem configurar crimes contra a dignidade sexual.

O órgão também apura indícios de que o investigado teria se aproveitado da vulnerabilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da comunidade. De acordo com o Ministério Público, o fornecimento de cestas básicas teria sido utilizado como contrapartida para obter material de conteúdo sexual.

Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra do sigilo de dados telemáticos do investigado. Também foram impostas medidas cautelares: ele está proibido de frequentar a sede da comunidade e os eventos promovidos pela instituição em outros locais, além de ter de comparecer mensalmente em juízo.

Investigação começou após denúncia

De acordo com o Ministério Público, o investigado foi afastado da presidência da comunidade em julho deste ano, após uma assembleia geral. A instituição está sob nova administração e permanece temporariamente fechada.

A operação foi coordenada pela Procuradoria-Geral de Justiça, em parceria com a 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, o Centro de Apoio Operacional Criminal (CAO Criminal), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita).

Segundo o Navita, há indícios de que as mulheres tenham sido vítimas de condutas semelhantes dentro do mesmo contexto institucional.

O MP-GO informou ainda que o ex-líder religioso estaria articulando a abertura de um novo centro religioso em Santa Helena de Goiás, município localizado a cerca de 210 quilômetros de Goiânia. Para o órgão, essa possibilidade aumenta a preocupação de que ele possa voltar a utilizar a posição religiosa para se aproximar de mulheres em situação de vulnerabilidade.

O Ministério Público informou que divulgará apenas o nome da comunidade religiosa à qual o investigado estava vinculado. Por esse motivo, não foi possível obter um posicionamento dele sobre as suspeitas.

O órgão também orienta que possíveis vítimas ou pessoas que tenham informações relevantes para a investigação entrem em contato por telefone, e-mail ou presencialmente.

G1 Goiás


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