Um homem de 39 anos foi preso nesta quarta-feira (28) suspeito de envolvimento na morte do marido, de 21 anos, encontrado sem vida em uma banheira de hidromassagem de um motel na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. O caso aconteceu na madrugada de 1º de outubro e passou a ser investigado como possível homicídio.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito, identificado como Fernando Curti Tavares, teria cometido o crime para receber os valores de seguros de vida contratados em nome da vítima. Os dois eram casados desde junho deste ano. A hipótese é investigada pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Morte foi registrada inicialmente como acidental
De acordo com os registros policiais, Fernando acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) após encontrar o companheiro desacordado na banheira. A equipe constatou a morte do jovem, e a ocorrência foi inicialmente registrada como acidente.
O casal havia chegado ao motel por volta das 22h de 30 de setembro. Na ocasião, Fernando relatou aos policiais que os dois tiveram uma relação sexual na banheira e que, depois, ele foi tomar banho em outro espaço da suíte. Cerca de 20 minutos depois, ao retornar, teria encontrado o companheiro desacordado.
No entanto, durante as investigações, os policiais identificaram inconsistências nessa versão. A banheira ficava em um mezanino separado por vidro, de onde, segundo a apuração, seria possível observá-la a partir da porta do banheiro utilizado pelo suspeito.
Seguros de vida levantaram suspeitas
A investigação também identificou mais de três apólices de seguro de vida vinculadas à vítima, com valores entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões. Conforme os registros policiais, os contratos previam indenizações maiores em caso de morte acidental, e Fernando era o único beneficiário.
Ainda segundo a polícia, o suspeito teria acionado os seguros poucas horas depois da confirmação da morte do companheiro.
A mãe do jovem também foi ouvida pelos investigadores. Ela afirmou desconhecer o relacionamento amoroso entre os dois, inclusive o casamento, e disse não saber da existência dos seguros de vida.
Outro episódio que chamou a atenção dos policiais ocorreu durante o plantão. Ao ser informado de que o celular seria apreendido, Fernando restaurou o aparelho às configurações de fábrica, apagando os dados armazenados. A conduta passou a integrar os elementos analisados na investigação.
Laudo apontou indícios de violência
O laudo necroscópico inicial indicou afogamento como causa da morte. A profundidade da banheira, inferior a 70 centímetros, levantou questionamentos durante a apuração.
Posteriormente, segundo a Polícia Civil, foram identificadas lesões nas mãos, nos dedos e nos antebraços, além de ferimentos na cavidade oral e hemorragias profundas na região do pescoço.
Os elementos periciais levaram os investigadores a considerar a hipótese de que o jovem tenha sofrido violência física e sido imobilizado antes de permanecer submerso na água.
Prisão temporária foi autorizada pela Justiça
O pedido de prisão temporária foi apresentado à Justiça em 15 de outubro e cumprido na manhã desta quarta-feira (28). A Polícia Civil também solicitou buscas no endereço do investigado e a extração de dados de seus equipamentos eletrônicos.
A investigação considera indícios de homicídio doloso, possível motivação financeira e suspeita de destruição de provas. O advogado Adriano Scattini, especialista em fraudes contra seguros, afirmou que, caso os fatos sejam confirmados, o suspeito poderá responder por homicídio qualificado por motivo torpe.
O caso continua sob investigação, e as suspeitas ainda deverão ser analisadas pelas autoridades competentes.
Metrópoles