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O celular na mão o tempo todo. Seja para trabalhar, estudar ou se distrair, as telas já fazem parte da rotina de crianças e adultos. Mas o uso excessivo tem acendido um alerta entre especialistas, que apontam impactos significativos na saúde física e mental da população.
De acordo com o neurologista Dr. Eduardo Magalhães, o consumo acelerado de vídeos, jogos e redes sociais afeta principalmente a capacidade de atenção das crianças. No ambiente digital, tudo acontece em segundos: um clique e o conteúdo muda; um toque e começa outro vídeo. "Então, isso acaba acostumando o cérebro com estímulos muito rápidos, o que traz uma série de prejuízos", explica o médico.
Aprendizado multimodal
O cérebro humano precisa de estímulos variados para se desenvolver plenamente. Tocar, correr, ouvir e interagir são atividades que fazem parte do chamado aprendizado multimodal, quando vários sentidos são ativados ao mesmo tempo. Segundo os especialistas, quando a criança fica exposta apenas a estímulos visuais e rápidos das telas, ela perde a oportunidade de desenvolver outras habilidades importantes.
"A orientação é que os pais busquem equilibrar o tempo de tela com atividades que estimulem outros sentidos, fundamentais para o desenvolvimento cognitivo", destaca a reportagem.
Tecnologia não é vilã, mas exige limites
Os especialistas ressaltam que a tecnologia não é a vilã da história. No entanto, quando utilizada sem limites, pode comprometer o desenvolvimento infantil, a concentração e até a saúde emocional de crianças e adultos.
"Cada um tem que encontrar seu equilíbrio. O problema não é a tela em si, mas o uso excessivo e sem controle", alerta o neurologista.
A importância do mundo real
No mundo real, nem tudo acontece na velocidade de um clique. Aprender a lidar com isso também faz parte do desenvolvimento saudável. Os especialistas recomendam que quanto mais cedo a criança for estimulada a brincar, interagir e explorar o ambiente físico, melhores serão as bases para seu desenvolvimento.
"A criança precisa entender que a vida não é feita de estímulos instantâneos e que algumas coisas exigem paciência e espera. Isso é fundamental para a formação emocional", conclui o médico.
A orientação para pais e responsáveis é estabelecer limites claros para o uso de telas e incentivar atividades ao ar livre, brincadeiras tradicionais e momentos de interação familiar sem a presença de dispositivos eletrônicos.
Samara Santos - Portal SGC