Porto Velho (RO)28 de Fevereiro de 202614:36:23
EDIÇÃO IMPRESSA
Rondônia

Trabalho por conta própria atinge 28,5% em Rondônia e acende alerta sobre qualidade da ocupação

Percentual coloca o estado acima da média nacional e reforça tendência da região Norte.


Imagem de Capa

IMAGEM ILUSTRATIVA

PUBLICIDADE

Rondônia registrou 28,5% da população ocupada trabalhando por conta própria no quarto trimestre de 2025, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice coloca o estado acima da média nacional, que foi de 25,3% no período .

Os números revelam contrastes regionais significativos. Enquanto o Maranhão lidera o ranking nacional com 34% de trabalhadores autônomos, seguido pelo Pará (30,3%), Rondônia se consolida como um dos estados com forte presença desse tipo de ocupação. Na outra ponta, o Distrito Federal apresenta a menor proporção do país (17%), acompanhado por Acre (18,8%) e Tocantins (20,8%) .

Dinamismo econômico versus vulnerabilidade

O percentual de trabalhadores por conta própria em Rondônia, que engloba desde microempreendedores até trabalhadores informais, reflete uma economia movida por iniciativas individuais. No entanto, o dado também acende um debate sobre as condições desse trabalho. A alta proporção de autônomos frequentemente está associada à informalidade e à falta de proteção social, como acesso a férias, 13º salário e previdência .

Dados da Agência Brasil, com base na PNAD Contínua de 2025, mostram que a informalidade em Rondônia atinge 46,1% da população ocupada, um percentual superior à média nacional de 38,1% e que coloca o estado em 11º lugar no ranking de informalidade do país. O Maranhão, por exemplo, líder no ranking de autônomos, também registra a maior taxa de informalidade: 58,7% .

Baixo desemprego em meio à informalidade

Apesar dos desafios na qualidade do emprego, Rondônia se destaca positivamente na geração de vagas formais e na taxa de desocupação. Dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que o estado gerou 10.444 novos empregos com carteira assinada ao longo de 2025, com destaque para o setor de Serviços, que respondeu por 5.966 dessas vagas .

Além disso, o estado fechou o ano de 2025 com a quarta menor taxa de desemprego do país, em 3,3%, ocupando a posição ao lado do Espírito Santo e atrás apenas de Mato Grosso (2,2%), Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso do Sul (3,0%) . O rendimento médio do trabalhador rondoniense também ficou ligeiramente abaixo da média nacional: R$ 3.362 contra R$ 3.560 no país .

Oportunidade ou necessidade?

Especialistas apontam que o fenômeno do trabalho por conta própria pode ter duas faces. Em um cenário de baixo desemprego, como o vivenciado por Rondônia, o trabalho autônomo pode representar uma oportunidade de empreendedorismo e de complementação de renda. Por outro lado, a alta informalidade sugere que muitos trabalhadores recorrem a "bicos" por falta de vagas formais que se adequem ao seu perfil ou escolaridade.

A análise do perfil educacional do estado ajuda a entender o fenômeno. Dados do IBGE do segundo trimestre de 2025, repercutidos pela Folha de S.Paulo, mostravam que 83% dos autônomos em Rondônia não tinham CNPJ, atuando na informalidade. Na ocasião, o percentual de pessoas sem instrução ou com menos de um ano de estudo no estado (5,7%) era superior à média brasileira (4,2%), o que pode dificultar a inserção no mercado formal e levar esses profissionais para o trabalho por conta própria como alternativa .

Para os economistas, o desafio do estado é transformar o trabalho autônomo de uma alternativa de subsistência em um vetor de desenvolvimento, garantindo que o crescimento dessa modalidade venha acompanhado de formalização, acesso a direitos e maior estabilidade de renda para o trabalhador .














Natália Figueiredo - Portal SGC


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Últimas notícias de Rondônia